domingo, 22 de janeiro de 2017

EU, DANIEL BLAKE

Diogo Barreto Berni
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Eu, Daniel Blake, dirigido por Ken Loach,  Reino Unido, França, Bélgica, 2016. Não conhecia o protagonista, Dave Johns, mas após ler algumas críticas do filme soube que ele é um pop star na Inglaterra fazendo shows de stand-ups, isto é, um comediante, mas que mostra de maneira dramática e competente a situação de um marceneiro que sofre um ataque cardíaco e se vê todo embaralhado para provar ao sistema inglês que de fato ele teve um ataque e estava impossibilitado de trabalhar. Escrevendo assim parece ser uma coisa bem simples, ou seja, vai ao médico e o profissional te autoriza a ficar em casa sendo sustendo pelo governo até que a pessoa fique boa ou apta ao trabalho novamente. Na teoria isto seria uma coisa fácil, mas sabemos que na prática o buraco é bem mais em baixo, isto é, a pessoa provar que ela não está mentindo para o governo. Este novo filme do esquerdista diretor inglês, que inclusive ganhou o prêmio de melhor filme do último festival de Cannes, mostra as mazelas da comunicação inoperante e humilhante dos cidadãos e seus governos. E o filme vai mais além: discute também os fluxos migratórios que  vivemos por guerra e governos tiranos; todos esses imbróglios encontra-se em tela: em um emaranhado de situações limites de quem não souber se virar nos trinta, vai ficar na mão do automatismo da máquina estatal e por consequência se dará bastante mal. Se o filme é digno da palma de ouro de Cannes? Oh se é, pois dá vozes a muitos coitados que por conta da burrocracia, ou seria burocracia mesmo? Mas por conta desta se veem sem teto e comida nas ruas de todo o mundo, e não só aqui ou na Inglaterra: Filmaço que dá pra sair dizendo da sessão: ganhei meu dia.

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