sexta-feira, 18 de setembro de 2026

CAMPANHA “PEQUENOS MECENATOS”

"Farei Doação desta maior coleção brasileira de vazinhos de parede, "violeteras" a um museu garantido, que tenha estrutura para montar uma maravilhosa exposição inédita no Brasil." Luiz Mott

O hábito de colecionar talvez tenha começado ainda nas cavernas com presas de mamutes ou pedras de formas estranhas portadoras de poder mágico. Imperadores e marajás colecionaram palácios e joias. Médicos e escritores compraram impressionistas.

Alguns colecionadores institucionalizaram esta paixão criando museus. O Louvre, criado por Francisco I, data do século XVI. Como espaço aberto ao público, foi inaugurado em 10 de agosto de 1793.

Alguns colecionadores são mecenas por vocação social. Outros por necessidade de afirmação. Tive, no ano passado a oportunidade de conhecer o Soumaya do mexicano Carlos Slim. Como a Quinta da Bacalhoa em Portugal do Joe Berardo, ambos têm a mesma caraterística, a mesma fraqueza da ostentação.

Mas vamos tratar dos que, na Bahia, são movidos pela paixão de possuir obras de artes visuais, moedas, velhos rádios e postes de televisão, oratórios, fotografias antigas, documentos, livros raros, arte barroca... a lista é longa. Alguns acervos irão para herdeiros sensíveis ou não, outros terminarão em leilões, brechós ou se acabando em algum depósito. Raros colecionadores contatam a prefeitura para obter um difícil apoio para criação de museu.

Tenho encontrado ultimamente três colecionadores profundamente decepcionados com a pouca receptividade e até desconfiança dos prefeitos solicitados. Evitemos citar nomes ou cidades. 

Uma soteropolitana procurou sua terra natal no extremo sul para doar um conjunto de mais de 300 obras da escola baiana do século XX. Floriano Teixeira, Mário Cravo, Carybé, Carlos Bastos, Eckenberger, Lênio Braga, João Alvez, Calazans Neto. O prefeito prometeu ir até Salvador para conhecer tão significativo conjunto. Dois anos passaram. Nunca apareceu. Um rico comerciante, numismata respeitado e colecionador de arte e móveis antigos, cuidadosamente guardados em galpão especial, não obteve melhor recepção após encontro com o prefeito, apesar de toda a devida consideração. O terceiro colecionador encontrou porta fechada ao solicitar à prefeita um espaço para doar sua coleção de mais de 500 obras, também de arte baiana.

Cada prefeitura tem, salvo erro, um secretário(a) de cultura ou diretor da casa de cultura municipal. Qual é o envolvimento real do escolhido com a dinâmica cultural do município? Simples cabide de emprego para um correligionário ou parente que pouco ou nada entende do assunto e até pouco aparece para trabalhar, mas ganha um polpudo salário pago pelos contribuintes da cidade.

Você, leitor, já imaginou quantos tesouros artísticos estão se perdendo pela falta de apoio das autoridades? Toda cidade dointerior deveria ter seu museu, seu memorial.

Vamos fazer um movimento a favor dos pequenos mecenatos?

Dimitri Ganzelevitch

A Tarde, Sábado 19 de setembro 2026


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