domingo, 27 de dezembro de 2020

O QUE É O BOLSONARISMO?

 



Promotor quebra o silêncio no Ministério Público e faz um resumo direto e cirúrgico sobre aqueles que hoje ocupam o poder central no Brasil. Algumas pessoas consideram que ele pode sofrer represálias

Um texto publicado por Paulo Brondi, promotor do Ministério Público de Goiás, viralizou na internet nesta quinta-feira (5). O conteúdo está sendo reproduzido por milhares de internautas e chegou a ser postado no blog de Juca Kfouri.

Algumas pessoas consideram que Paulo Brondi pode sofrer represálias por ter sido um dos primeiros membros do Ministério Público a ter coragem de traçar um panorama sincero daqueles que hoje ocupam o poder central no Brasil.

“Parabéns pelo texto. É preciso coragem para falar abertamente verdades cruas a respeito da ‘familícia’. Só espero que você não seja perseguido por isso”, observou uma internauta.

A seguir, leia a íntegra do texto:

Por Paulo Brondi

Bolsonaro é um cafajeste. Não há outro adjetivo que se lhe ajuste melhor. Cafajestes são também seus filhos, decrépitos e ignorantes. Cafajeste é também a maioria que o rodeia.

Porém, não é só. E algo que se constata é pior. Fossem esses os únicos cafajestes, o problema seria menor.

Mas, quantos outros cafajestes não há neste país que veem em Bolsonaro sua imagem e semelhança?

Aquele tio idiota do churrasco, aquele vizinho pilantra, o amigo moralista e picareta, o companheiro de trabalho sem-vergonha…

Bolsonaro, e não era segredo pra ninguém, reflete à perfeição aquele lado mequetrefe da sociedade.

Sua eleição tirou do armário as criaturas mais escrotas, habitués do esgoto, que comumente rastejam às ocultas, longe dos olhos das gentes.

Bolsonaro não é o criador, é tão apenas a criatura dessa escrotidão, que hoje representa não pela força, não pelo golpe, mas, pasmem, pelo voto direto. Não é, portanto, um sátrapa, no sentido primeiro do termo.

Em 2018 o embate final não foi entre dois lados da mesma moeda. Foi, sim, entre civilização e barbárie. A barbárie venceu. 57 milhões de brasileiros a colocaram na banqueta do poder.

Elementar, pois, a lição de Marx, sempre atual: “não basta dizer que sua nação foi surpreendida. Não se perdoa a uma nação o momento de desatenção em que o primeiro aventureiro conseguiu violentá-la”.

Muitos se arrependeram, é verdade. No entanto, é mais verdadeiro que a grande maioria desse eleitorado ainda vibra a cada frase estúpida, cretina e vagabunda do imbecil-mor.

Bolsonaro não é “avis rara” da canalhice. Como ele, há toneladas Brasil afora.

A claque bolsonarista, à semelhança dos “dezembristas” de Luís Bonaparte, é aquela trupe de “lazzaroni”, muitos socialmente desajustados, aquela “coterie” que aplaude os vitupérios, as estultices do seu “mito”. Gente da elite, da classe média, do lumpemproletariado.

Autodenominam-se “politicamente incorretos”. Nada. É só engenharia gramatical para “gourmetizar” o cretino.

Jair Messias é um “macho” de meia tigela. É frágil, quebradiço, fugidio. Nada tem em si de masculino. É um afetado inseguro de si próprio.

E, como ele, há também outras toneladas por aí.

O bolsonarismo reuniu diante de si um apanhado de fracassados, de marginais, de seres vazios de espírito, uma patuléia cuja existência carecia até então de algum significado útil. Uma gentalha ressentida, apodrecida, sem voz, que encontrou, agora, seu representante perfeito.

O bolsonarismo ousou voar alto, mas o tombo poderá ser infinitamente mais doloroso, cedo ou tarde.

Nem todo bolsonarista é canalha, mas todo canalha é bolsonarista.

Jair Messias Bolsonaro é a parte podre de um país adoecido.

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sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

AS GARÇAS DO PRINCIPADO DE LA GLORIETA

 


No meio dos Andes, a quase três mil metros de altura, Sucre – que também se chama Charcas, La Plata e Cuchisaca -  é uma cidade tão branca e sensual como uma ilha grega. Lá você esquecerá sua condição redutora de turista para simplesmente se tornar anônimo bípede descansando na Plaza de Armas ou comprando frutas no mercado municipal. Difícil é não sucumbir ao charme desta cidade.

Mas conseguimos, Claudine, velha cúmplice de tantas viagens por quatro continentes, e eu, escapar do feitiço por poucas horas. O micro 4, lento que nem cágado e mais cheio que o trem das onze, nos deixaria, cinco quilômetros mais adiante, no portão do Castillo de los Príncipes de la Glorieta.

Após um pomposo gradil rendilhado, penetramos no reinado da mais absoluta fantasia. Desde o título nobiliário, dourado a purpurina, atribuído por um papa no final do século XIX ao dono de minas de prata e financiador da guerra do Pacífico, até a bizarra mansão avermelhada de estilo árabo-gótico-russo-bizantino-renascente, tudo parecia cenário de teatro mambembe. Algures entre o kitsch e o cafona, o conjunto é salvo pela sua própria incoerência. Escadas, torres, pátios, salões, corredores e varandas se sucedem sem nexo aparente. A decadência geral - vidros quebrados, paredes mofadas -  acaba dando alma ao conjunto.

No parque abandonado e invadido pelo mato, crianças jogavam bola. Três alemães quarentões nos pediram para tirar o retrato, polegares em evidência. Abriu-se a porta principal do estranho castelo. Uma revoada de jovens, altas e lindas moças, cabelo solto, todas vestidas de longo preto, desceu a escada monumental correndo, rindo e agitando os braços cobertos por amplos xales coloridos. Pareciam frágeis garças dançando na luz do fim de tarde. Ainda as encontraríamos, agora num salão azul com janelas mouriscas, vestidas de leve algodão branco bordado e imensos chapéus de palha. O espaço se transformara em exótica gaiola. Sem poder definir a origem, um tambor distante batia uma cadência desconhecida. Se algum Proust latino americano estivesse observando, teríamos vinte páginas antológicas sobre estas jeunes filles en fleur. Pareciam flutuar, atemporais. Seus gestos, seus risos, seriam criações espirituais de um Fokine subtropical?

Voltamos silenciosos a Sucre, sempre naquele micro 4, com os três alemães, câmeras penduradas no pescoço.

Certos momentos marcam uma viagem, senão uma vida. Não precisa ser a visão da obra-prima de artista genial ou um baile no castelo de Versalhes. Basta a lembrança do cheiro da terra após a tormenta, a folha amarelada caindo lentamente de uma árvore, o sorriso calmo de uma velha senhora para que, de repente, nos invada uma prazerosa sensação de plenitude.

Dimitri Ganzelevitch

A Tarde, 26/12/20

 

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

A FARRA DOS PRIVILÉGIOS

                                                                                        CARLOS ALBERTO SARDENBERG

A Fiocruz é merecedora do prêmio de responsabilidade social e política, ao se negar a reservar doses de vacina aos tribunais superiores,
Estava pensando em dar à Fiocruz o prêmio “Republicano de 2020”. Melhor não. Republicanos é o nome do partido de Crivella/Igreja Universal, cujo comportamento não corresponde ao nome.
Assim, vamos dizer que a Fiocruz é merecedora do prêmio de responsabilidade social e política, ao se negar a reservar doses de vacina aos tribunais superiores. Inversamente, o Supremo Tribunal Federal, o Superior Tribunal de Justiça e o Tribunal Superior do Trabalho merecem o prêmio vexame do ano. Os egrégios tribunais solicitaram oficialmente à Fiocruz a reserva de doses da vacina (7 mil no caso do STF) para aplicação nos ministros e seus funcionários.
Em ofício, o diretor do STF, Edmundo Verdas dos Santos Filho, chegou a dizer que a vacinação de ministros e funcionários contribuiria “com o país” já que garantiria a “utilização dos recursos humanos e materiais disponíveis no Tribunal para ajudar a desafogar outras estruturas de saúde”.
É ridículo ter que argumentar contra isso, mas, considerada a fonte, vamos lá. Há muitas outras categorias cuja vacinação contribuiria mais com o país. E é justamente essa regra que se utiliza em qualquer lugar do mundo quando se organiza a fila da vacinação. E é óbvio que a reserva das primeiras doses vai para o pessoal da saúde e para sua turma de apoio, o que inclui maqueiros e motoristas de ambulâncias.
O diretor do STF lembrou, en passant, que muitos membros do tribunal estão no grupo de risco. Desnecessário. Os grupos de risco vão para os primeiros lugares.
Mas, na fila comum, para todos, e não para uma eventual fila exclusiva de 7 mil membros do STF, a ser vacinados em locais da Corte, especiais e separados do povão.
Dirão alguns leitores: mas por que se preocupa com questão tão pequena?
Ocorre que não é só isso. Os privilégios não se limitam a isso. São os salários acima do teto constitucional, são as férias de dois meses, sem contar os recessos, são as mordomias.
Isso se refere não apenas ao STF, mas à alta cúpula do serviço público, que acha natural ter essas vantagens.
Refere-se também a uma elite política que acha absurdo que um prefeito, um deputado, um senador ou um ministro possam ser presos.
A demanda por privilégios vai, assim, do pedido de reserva de vacinas aos esforços para abafar o combate à corrupção. Isso inclui: o engavetamento da lei de prisão em segunda instância, a decisão do ministro Nunes Marques de encurtar o tempo de inelegibilidade dos fichas-sujas, o desmantelamento da Lava Jato.
E mais: o fato de a elite política de Brasília considerar absolutamente normal que um réu por corrupção, o deputado Arthur Lira, seja candidato a presidente da Câmara dos Deputados.
O que nos traz ao tema corrupção, outro assunto movimentado nestes dias, com a prisão do prefeito Marcelo Crivella. Isso num estado em que cinco ex-governadores foram apanhados por corrupção e lavagem de dinheiro. Dinheiro público e da saúde.
Até há algum tempo, se dizia que a corrupção era pequena e apenas um problema moral. Errado. Primeiro, porque a Lava Jato mostrou o tamanho da corrupção aqui no Brasil e no exterior. Segundo, porque há uma estreita relação entre corrupção e ineficiência econômica.
Num ambiente corrupto, empresas que trabalham para governo corrupto — via contratos ou concessões — sabem que se ganha uma concorrência não por qualidade técnica, mas pelo valor da propina. Empresas sérias se afastam desses ambientes, como é o caso de muitas companhias e Organizações Sociais que desistiram de trabalhar no Rio e de muitas que simplesmente desistiram do que têm a receber, por trabalhos legítimos, porque não querem entrar na fila da propina.
Trata-se do “capitalismo de amigos”, revelado pela Lava-Jato e tão resistente a ponto de conseguir abafar a própria Lava-Jato.
Portanto, um prêmio para a Fiocruz, que deu uma lição ao STF: as vacinas vão todas para o Programa Nacional de Imunização, não podendo ser reservadas nem para os funcionários da Fiocruz.
Até o fechamento desta coluna, ontem à tarde, apenas um ministro do STF havia se manifestado, Marco Aurélio: “Peço desculpas”. E os outros?

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

O PRIMEIRO-MINISTRO CORRUPTO DE ISRAEL

 Israel terá eleição antecipada, com Netanyahu enfrentando novos desafios



Israel irá realizar mais uma eleição antecipada, em março, após o Parlamento fracassar, nesta terça-feira, em cumprir o prazo máximo para a aprovação do Orçamento, o que provocou um pleito que apresentará novos desafios para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. A campanha para a quarta eleição parlamentar em dois anos começa com Netanyahu enfrentando o clamor do público por conta de sua condução da pandemia de coronavírus, enquanto ele ainda está envolvido em um julgamento por corrupção* — o primeiro contra um primeiro-ministro israelense.

O líder israelense há mais tempo no poder também terá de enfrentar um novo rival de direita, Gideon Saar, um desertor do partido de Netanyahu, o Likud, e que, segundo uma pesquisa de opinião divulgada pelo canal de TV Kan nesta terça-feira, o mostrava empatado com Netanyahu nas intenções de voto. Netanyahu, que negou ter participado de qualquer irregularidade criminal, e o atual ministro da Defesa do país, o político de centro Benny Gantz, estabeleceram um governo de união em maio após três eleições inconclusivas realizadas desde abril de 2019.

Un manifestant avec un masque de Netanyahou devant la Cour suprême le 14 octobre 2020. © Ahmad Gharabli/AFP

Mas, desde então, os dois estão travados em uma disputa sobre a aprovação do Orçamento nacional, chave para a implementação de um acordo no qual Gantz assumiria o governo de Netanyahu em novembro de 2021. O presidente do Parlamento declarou sua dissolução na noite de terça-feira em uma sessão transmitida ao vivo pela televisão, dizendo que uma eleição antecipada seria então automaticamente provocada pelo fracasso na aprovação do orçamento.

* Na realidade o Netanyahu está com TRÊS processos por corrupção nas costas, sem contar com o inquérito sobre a misteriosa compra de submarinos a Alemanha em condições mal esclarecidas.

SABORES DO FLAMENCO

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

ESQUEÇA LOUIS VUITTON...

 


... CUJAS BOLSAS PARA PERUAS DESLUMBRADAS NUNCA VALERÃO UMA BOLSA DE CROCODILO DA HERMÊS: U$212.500

OU SEJA: MAIS DE UM MILHÃO DE REAIS!


Hermès Matte Himalaya Niloticus Crocodile Diamond Birkin 35, 2012. Sold for $212,500. Christie’s image


UMA ÓTIMA NOTÍCIA!