quinta-feira, 30 de março de 2023

O VIAGRA DAS FORÇAS ARMADAS

 TCU atesta superfaturamento em compra de Viagra por militares e determina a devolução do dinheiro

A Corte apontou que a aquisição do medicamento ocorreu ‘por preço manifestamente superior ao preço máximo aceitável’

O Tribunal de Contas da União apontou um superfaturamento na compra de Viagra realizada pelas Forças Armadas e determinou a devolução de 27,8 mil reais aos cofres públicos.

A aquisição foi feita para o Hospital Naval Marcílio Dias, no Rio de Janeiro. Para atender o local, foram comprados mais de 15 mil comprimidos de Viagra, a um custo que supera os 55 mil reais. O preço de cada unidade foi de 3,65 reais, mas o valor médio no painel de preços do governo federal para o período era de 1,81.

“De todo o exposto pela secretaria, o que se tem comprovado (…) é a aquisição do medicamento em questão por preço manifestamente superior (R$ 3,65) ao preço máximo aceitável (R$ 1,47), em descumprimento, injustificado, ao disposto nos ‘itens 8.1 e 8. 3 do edital c/c o item 1.2 e Anexo A do Termo de Referência’”, disse o relator, ministro Weder de Oliveira, em seu voto.

A decisão resulta de uma representação protocolada pelo ex-deputado federal Elias Vaz (PSB-GO) e pelo senador Jorge Kajuru (PSB-GO) em 2022. Na denúncia, os pessebistas indicaram um superfaturamento de 143%.

“Enquanto o governo Bolsonaro deixou faltar até dipirona, o remédio mais básico para dor, nos hospitais públicos, liberou compra de Viagra com preço muito acima do de mercado para a Marinha”, criticou Elias Vaz à época. “Esperamos que quem praticou esse crime seja responsabilizado e que cada centavo seja devolvido aos cofres públicos.”

O TCU estabeleceu o prazo de 90 dias para o Hospital Naval Marcílio Dias adotar as medidas necessárias para “apuração do débito e obtenção do ressarcimento do dano causado ao erário, em valores devidamente atualizados”

DIÁRIO DO BOLSO

 Diário, descobriram mais umas coisas. Ainda bem que meu pessoal não acredita em prova

O bom é que meus minions vão dizer que é tudo presente pessoal e que guardar umas coisas na fazenda do meu motorista é normal

Marcos Correa/PR

Pô, Diário, me pegaram de novo!

Tô sendo mais apanhado que camelô surdo.

Os fofoqueiros da esquerdalha descobriram duas coisas de uma vez.

A primeira coisa foi que eu moitei mais uma caixa de joias dada pela Arábia Saudita. Lá tinha um Rolex cravejado de diamantes que vale uns R$ 360 mil, umas joias em ouro branco e uma caneta Chopard com pedras incrustradas (só uso Bic pra tirar foto, kkk).

A segunda coisa foi que, uns dias antes de fugir do Brasil, eu escondi dezenas de caixas na fazenda do Piquet.

São uns presentes bacanas que eu não entreguei pra União. Pra União só mandei livro e outras coisas sem valor.

Já o Rolex ficou comigo. E um monte de coisa de primeira tá lá com o meu motorista.

O Piquet é um cara bacana. Doou R$ 501 mil pra minha campanha pessoal e mais 200 mil pro PL. É que ele ganhou do governo mais de R$ 6 milhões por um serviço aí. Sem licitação, é claro. É dízimo que chama?

Olha, Diário, o bom é que meus minions vão dizer que é tudo presente pessoal, que eu tinha que guardar mesmo, que até seria falta de educação se não ficasse com os trecos.

Os caras acreditam em tudo que eu digo. Mesmo que existam provas contra mim. Se um dia eu falar que sou a favor do suicídio, vai ter um monte de gente pulando da janela.

O que importa é que amanhã eu volto pro Brasil pra comemorar o aniversário do golpe de 64. E já chego fazendo uma carreata. Vou estar lá de boné verde, camisa amarela e Rolex prateado.

Não, kkk, é brincadeira. É claro que não vou dar um rolê de Rolex. Vou com um relógio furreca. Se bobear, um de plástico, desses que vêm em doce de criança.

Comigo é assim: Rolex no cofre e Enrolex na rua.

No Facebook: @DiariodoBolso


Torero

UM TÚNEL-MUSEU

 O TÚNEL DE PAULO ORMINDO DE AZEVEDO.

Imaginem esta parede ocupada por vitrines contendo toda a cultura popular de Salvador. em vez das eternas propagandas comerciais que só nos leva a sempre consumir mais e mais.....




Na terça-feira 28 de março, houve um debate na ABI sobre este ousado projeto que ligaria o Campo da Pólvora ao Comércio por meio de um túnel com passarelas rolantes.
Apesar dos 300 milhões de custo, acho importante esta obra. Se nossos governantes não se mobilizam para mudar a decadência do centro antigo, podemos apagar as luzes da primeira capital do Brasil.
Claro que marquei presença. Tomei até a liberdade de apresentar uma proposta que, espero, não seja interpretada como tolice.
Aqui vai:
UM TÚNEL/MUSEU
Os museus mais famosos do mundo – Tate, Louvre, Prado, Gulbenkian, Masp, Metropolitan etc. – são sempre localizados no centro das cidades, onde o fluxo é maior.
Salvador carece de um museu de cultura popular.
Porque não usar os 1.500 metros das duas paredes do túnel Campo da Pólvora/Comércio para criar um longo e dinâmico espaço museológico valorizando as diversas facetas da cultura popular de Salvador?
Carros de cafezinho. Lambe-lambe. Cerâmicas. Palhas. Couro. Reciclagem de vidro. Pinturas primitivas. Repentistas. Literatura de cordel. Tranças. Máscaras. Samba de roda. Capoeira. Carnaval. Barcos e canoas. Redes de pesca. Utensílios de cozinha. Cantores. Compositores. Instrumentos musicais. Brinquedos.
Todos os usos e costumes da primeira capital do Brasil. A lista é longa.
Vitrines bem iluminadas com legendas simples contribuirão a valorizar a identidade do soteropolitano e sem dúvida ajudarão os turistas a melhor entender a cidade visitada.
Acervo de alto valor cultural, baixo custo de investimento e de fiscalização.
Perdemos a oportunidade de ter um metrô ao nível artístico de Estocolmo, Lisboa ou Taiwan.
Mas podemos ter o túnel mais cultural do mundo.
Dimitri Ganzelevitch
Salvador, 27 de março de 2023

quarta-feira, 29 de março de 2023

M´HAI RESA INFELICE

UM HOMEM DIGNO

 A PESAR DE MUITO HUMILDE


Por Marcos Nunes — Rio de Janeiro

 

O pedreiro, após ser resgatado: 'Quero dar a volta por cima'
O pedreiro, após ser resgatado: 'Quero dar a volta por cima' Alziro Xavier/Divulgação/Prefeitura de Nova Iguaçu

Retirado de uma situação análoga à escravidão, nesta segunda-feira, um pedreiro, de 51 anos, que se alimentava com a mesma comida dada a 18 porcos, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, pensou que estivesse sendo preso ao ser resgatado de uma propriedade rural no Bairro de Austin, onde trabalhava cuidando dos suínos. Nesta terça-feira, o pedreiro acordou em um abrigo que funciona no Centro de Acolhimento da Rede Sócio assistencial do município. Depois de quase dois anos, tempo em permaneceu na propriedade em que foi encontrado, ele finalmente dormiu em uma cama de verdade e conseguiu tomar um banho de chuveiro.

— Não tomava banho de chuveiro havia mais de um ano. Lá, era só banho de balde com a água que pegava num vizinho . Foi bom dormir numa cama e tomei café com pão e manteiga. Me senti mais digno — afirmou.

Ele disse que se assustou com a chegada de homens da patrulha ambiental do município que o retiraram da situação que se encontrava. Os guardas o encontraram deitado em cima de um velho colchão, armado sobre três engradados plásticos, numa espécie de cama improvisada.

Morando numa espécie de quitinete inacabada de três cômodos, parcialmente destelhada e sem banheiro, o pedreiro disse ter pensado, durante a chegada dos patrulheiros, que se fosse preso poderia ao menos ter como vencer a fome.

— Tinha vez que eu não fazia nenhuma refeição. Então, comia da comida que era servida aos porcos. Pegava um pouco pra mim dos restos de frutas, legumes e arroz. Só tinha comida mesmo se eu conseguisse fazer um biscate e comprasse alguma coisa. Onde estava não recebia nada. Quando eles chegaram ( patrulheiros ambientais) pensei que fosse ser preso, mesmo sem ter cometido nenhum crime. Fiquei com medo, mas pensei que se isso fosse acontecer eu terei um lugar para onde comer e beber — disse.

'Pretendo dar a volta por cima'

O pedreiro disse não saber que estava sendo explorado e que o dono da propriedade, que acabou sendo preso pela polícia, não havia lhe prometido nada. Ele não recebia salário, mas em troca da moradia, cuidava dos porcos para o homem. Natural de Minas Gerais, o homem disse ter parentes no Rio, mas que quer dar a volta por cima sem dar trabalho a eles.

— Não é orgulho. Não quero dar trabalho. Pretendo dar a volta por cima. Já sei que não posso voltar para o local que estava. Ainda não sei como vai ser daqui pra frente. Mas, quero viver uma história nova — disse o pedreiro, que convive com problemas de saúde como hipertensão e uma ferida na perna que teima em não fechar. — Me tratava numa UPA. Também tenho sinusite. Minha ferida teve mais feia, mas agora está melhor.

segunda-feira, 27 de março de 2023

CHOPIN NOCTURNO

JUDITH TRIUMPHANS



O século 20 encarregou-se de retirar o nome do italiano Antonio Vivaldi (1678 – 1741) do mais completo esquecimento, transformando-o em um dos mais populares músicos do período barroco. Isso graças à sua numerosa obra instrumental, que inclui o celebérrimo ciclo de concertos batizado de ‘As Quatro Estações’.

Mas o Padre Ruivo de Veneza escreveu também muita música sacra notável – mais de setenta partituras. Nesse domínio, obra capital é o oratório ‘Juditha Triumphans’, o único que sobreviveu dos quatro compostos pelo autor. Ele é, numa palavra, espetacular. Apresentado na íntegra (em álbum de três CDs da etiqueta francesa Opus 111), tem mais de duas horas e meia de duração, desenrolando uma longa trama que se concretiza através de recitativos, árias e coros extraordinariamente coloridos.

Vivaldi compôs ‘Juditha Triumphans Devicta Holofernis Barbarie’ em 1716, quando Veneza corria o perigo de ser invadida por seus habituais inimigos, os otomanos. Subintitulado de ‘Oratório Sacro-militar’, esse oratório tinha por objetivo levantar o moral dos habitantes da cidade da laguna. Para tanto, partindo de um libreto de Giacomo Cassetti, construiu um impressionante afresco sonoro tratando da vitória da judia Judite sobre o assírio Holofernes. (Uma curiosidade: entre 1621 e o ano em que Vivaldi o abordou, o tema já havia sido tratado mais de 20 vezes por outros compositores).

O enredo de ‘Juditha Triumphans’ foi retirado do Livro de Judite, um dos 16 ‘Livros Históricos da Torá Judaica’, que os cristãos chamam de ‘Antigo Testamento’. Aí é contada a história dessa linda, jovem e rica viúva de Betúlia que, ao ver seu povo correndo o risco de ser massacrado pelas tropas de Nabucodonosor comandadas por Holofernes, resolve partir para a ação.



Com seus melhores trajes e acompanhada de uma fiel criada, Judite apresenta-se ao inimigo, enfeitiçando-o com seus múltiplos dotes. Depois de um banquete, consegue ficar a sós com Holofernes que, bêbado, adormece. Nesse momento, depois de rezar, Judite dá dois golpes na nuca do comandante e o degola. Levando a cabeça do inimigo à sua cidade, a jovem viúva consegue que as tropas inimigas debandem e que seu povo, vitorioso, saia em sua perseguição. No coro final do oratório, uma saudação a Judite é seguida de um voto: “Que Adria (Veneza) viva e reine em paz.”

A música que Vivaldi concebeu para essa triunfal Judite é bem sua, quer dizer, melodiosa, harmoniosa, movimentada e repleta de brilho. Como a partitura foi concebida para ser executada pelas cantoras e instrumentistas da Pietá, instituição veneziana dedicada às moças sem família, todos os papeis são encarnados por vozes femininas. Nesta gravação, brilham soberanas as sopranos e meio-sopranos Magdalena Kozena, Maria José Trullu, Mariana Comparato, Anke Herrmann e Tiziana Carrano.

As eletrizantes passagens corais são defendidas bravamente pelo Coro Juvenil da Accademia Nazionale di Santa Cecilia. Os muito ricos e coloridos acompanhamentos instrumentais ficaram a cargo da afinada e animada Academia Montis Regalis, da cidade de Mandovì que, sob a regência dinâmica de Alessandro De Marchi, executa essa música cintilante com o necessário brilho.

COMENTÁRIO DO BLOGUEIRO. -  Acabo de descobrir esta obra-prima do autor veneziano das Quatro Estações.
Mais que o triunfalismo histórico da vitória de Veneza sobre os turcos, é notável o vigor, o permanente entusiasmo do Vivaldi.