NEWTON SOBRAL
Jornalista
O quadro em relação à Lava-Jato é semelhante ao da Itália quando da Operação Mãos Limpas. Lá, como aqui, competentes e bem intencionados procuradores iniciaram processo com o objetivo de por na cadeia a verdadeira ‘máfia’ que infestava os meios políticos, projeto frustrado pelos corruptos acastelados no Parlamento.
Na medida em que a Mãos Limpas ameaçava a roubalheira, os corruptos aproveitavam a maioria parlamentar para aprovar novas leis e modificar outras de modo a tornar inviável a ação moralizadora dos procuradores. Um exemplo foi a redução drástica do período de tempo para a prescrição dos crimes, evitando muitas prisões e contribuindo decisivamente para o esvaziamento da operação.
A mesma estratégia é hoje utilizada pelos nossos corruptos para decretar o fim da Lava- Jato. A prova mais flagrante é o empenho da grande maioria dos deputados e senadores, sob o comando do presidente do Senado, Renan Calheiros, quando se trata de apreciar e votar matérias destinadas a colocá-los a salvo da presença da justiça.
Isso ficou mais do que evidente no açodamento do Senado quando da votação do projeto de lei, de origem popular, das ‘dez medidas de combate à corrupção’, importante para a Lava- Jato e desfigurado pela Câmara ao ponto de poder ser considerado como ‘de defesa da corrupção’. Só não votaram graças à liminar do ministro Luiz Fux, do STF, determinando o retorno da matéria à Câmara para ser restaurada à forma original, validada pela assinatura de mais de dois milhões de brasileiros.
Nenhum comentário:
Postar um comentário