quarta-feira, 24 de outubro de 2018

ROUBO NA CATEDRAL


Quantas vezes, seja na imprensa escrita ou nas redes sociais tenho reclamado da ausência de qualquer política séria de preservação do patrimônio cultural e artístico da Bahia e, temo, do resto do Brasil? 



Em agosto, tive a oportunidade de fotografar o que resta da extraordinária igreja de Nossa-Senhora do Vencimento, no município de São Francisco do Conde, um dos mais ricos do Brasil. Muito pior é o desaparecimento da igreja de Nossa-Senhora da Encarnação de Passé, do século XVII, onde assisti ao enterro de um amigo em 1982. Dos altares, dos azulejos seiscentistas e do sino se tem mais rastro. 



Nos anos 90, quando o IPAC utilizou a Igreja do Passo como escritório, desapareceram 2 imensos lampadários de prata maciça, cinzelada e puxada. O fato mereceu artigo na imprensa, mas não houve o mínimo inquérito. 
Por quê?
Sejamos realistas: a Bahia despreza sua história.
O Estado é cego e surdo.
Os municípios, ignorantes e indiferentes.
O órgão responsável a nível federal atravessa invernos, primaveras, outonos e verões sem justificar a que veio.
Estou falando, sim e o dedo em riste, do IPHAN. 

Para prosseguir uma obra dentro das exigências, o Trapiche Barnabé esperou um ano e meio e só obteve o alvará pela insistência do então ministro Juca Ferreira.

O estado de calamidade do Convento de São Francisco é desesperador.

Os puxadinhos no Santo Antônio, mesmo denunciados em primeira página dos jornais, continuam crescendo pornograficamente.



Após quase quatro anos de restauração, com grandes pompas, 17 milhões de reais, arcebispo, três ministros e destaque nas televisões, a antiga igreja dos jesuítas, hoje catedral, foi reaberta ao público. 
O resultado é magnífico. Fiquei realmente deslumbrado. 

Mais entusiasmado fiquei quando soube que o precioso monumento fora dotado de 109 sensores de incêndio e de 25 câmeras para vigiar tamanho tesouro. Só lamento que estas câmeras não estivessem instaladas antes da obra iniciar. 


ANTES DA CATEDRAL DE SALVADOR
ENTRAR EM RESTAURAÇÃO...


 E DEPOIS !!!

Teriam evitado que, durante a restauração, o raríssimo sacrário do fim do século XIX fosse depenado de seus ouros e brilhantes. Quem é responsável? É provável que, como de costume, haja um destes “empurra com a barriga” e que nem a empresa, nem a igreja nem o IPHAN assumam a escandalosa displicência. 



Quanto à imagem de Santa Úrsula do século XVIII, descascada apressadamente a procura de uma pintura original inexistente, foi inteiramente repintada. Paciência. Fosse de gesso, os fiéis rezariam com o mesmo fervor. Antes de terminar, uma curiosidade: será que nestes quatro anos, não se teve tempo de mandar imprimir os recibos justificando a cobrança dos modestos R$5,00 da visitação? Por princípio recusei pagar.

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