Este texto é dos melhores registos de língua portuguesa que eu tenho lido sobre a nossa digníssima 'língua de Camões', a tal que tem fama de ser pérfida, infiel ou traiçoeira.
Um político que estava em plena campanha chegou a uma pequena cidade, subiu para o palanque e começou o discurso:
- Compatriotas, companheiros, amigos! Encontramo-nos aqui, convocados, reunidos ou juntos para debater, tratar ou discutir um tópico, tema ou assunto, o qual me parece transcendente, importante ou de vida ou morte. O tópico, tema ou assunto que hoje nos convoca, reúne ou junta é a minha postulação, aspiração ou candidatura a Presidente da Câmara deste Município.
De repente, uma pessoa do público pergunta:
- Ouça lá, porque é que o senhor utiliza sempre três palavras, para dizer a mesma coisa? O candidato respondeu:
- Pois veja, meu senhor: a primeira palavra é para pessoas com nível cultural muito alto, como intelectuais em geral; a segunda é para pessoas com um nível cultural médio, como o senhor e a maioria dos que estão aqui; A terceira palavra é para pessoas que têm um nível cultural muito baixo, pelo chão, digamos, como aquele alcoólico, ali deitado na esquina.
De imediato, o alcoólico levanta-se a cambalear e 'atira':
- Senhor postulante, aspirante ou candidato: (hic) o facto, circunstância ou razão pela qual me encontro num estado etílico, alcoolizado ou mamado (hic), não implica, significa, ou quer dizer que o meu nível (hic) cultural seja ínfimo, baixo ou mesmo rasca (hic). E com todo a reverência, estima ou respeito que o senhor me merece (hic)pode ir agrupando, reunindo ou juntando (hic) os seus haveres, coisas ou bagulhos (hic) e encaminhar-se, dirigir-se ou ir direitinho (hic) à leviana da sua progenitora, à mundana da sua mãe biológica ou à puta que o pariu!
Bolsonaro diz que Alexandre Frota será seu ministro da Cultura
O candidato do PSL à presidência da República foi recebido por uma multidão entusiasmada durante a sua chega a Curitiba
De brincadeira ou não, Jair Bolsonaro disse que o ator Alexandre Frota será seu ministro da Cultura, caso, obviamente, ele seja o futuro presidente da República.
O candidato do PSL foi recebido por uma multidão eufórica na sua chegada a Curitiba.
Veja o que ele disse sobre Lula:
"Eu quero Lula em cana, já que ele gosta tanto de uma caninha. É o estilo dele".
"Ele quis transformar o Brasil em um galinheiro, e está colhendo ovos pelo Brasil inteiro".
Chances de detritos espaciais atingirem o solo brasileiro são pequenas,
mas especialistas não descartam a possibilidade
Neste exato momento, a cerca de 200 quilômetros de altura, uma estação espacial chinesa espirala sem rumo em direção à Terra. Lançada em 2011, a Tiangong-1 está desabitada desde 2013 e desgovernada desde 2016. Agências espaciais e órgãos especializados do mundo todo afirmam que o primeiro “palácio celestial” da China vive seus últimos momentos em órbita — e que deve cair de vez nos próximos dias.
De acordo com a Agência Espacial Europeia (ESA), a reentrada na atmosfera deve ocorrer entre os dias 30 de março e 2 de abril. Uma inesperada coincidência com o feriado de Páscoa. Já para a Aeroespace Corporation, organização que fornece análises técnicas à Força Aérea dos EUA, a previsão é 1º de abril, com dois dias para mais ou para menos.
CancelaNetflix: a batalha entre a esquerda e a direita chegou ao streaming
Dilma Rousseff diz que a série O Mecanismo, baseada na Operação Lava-Jato, é "uma visão distorcida da história, com tons típicos do fascismo latente no país". E Lula da Silva promete "processar a Netflix".
O actor Arthur Khol encarna João Higino, inspirado em Lula da Silva DR
Um ex-Presidente chamado João Higino, mas com barba e trejeitos de Lula da Silva; uma Presidenta chamada Janete, último nome Ruscov; e um vice-presidente Thames, primeiro nome Samuel, que rima com Michel, são algumas das peças pouco subtis com que o realizador brasileiro José Padilha montou um puzzle televisivo intitulado O Mecanismo. A série, "inspirada levemente em factos reais" sobre a Operação Lava-Jato, chegou à Netflix há uma semana, e bastaram algumas horas para que o debate no país seguisse noutra direcção: cancelar ou não cancelar a conta no serviço de streaming?
O movimento #CancelaNetflix e #BoicoteNetflix, no Twitter, já provocou acesas discussões no Brasil, nos jornais e nas redes sociais, de um modo geral divididas por dois campos ideológicos: a esquerda quer cancelar, a direita quer fazer pipocas e ver os oito episódios da série sem parar.
A questão é tão sensível que motivou uma tomada de posição de Dilma Rousseff. Num texto no seu site, a antiga Presidente do Brasil, destituída em 2016, chama à série O Mecanismo "uma visão distorcida da história, com tons típicos do fascismo latente no país".
"A propósito de contar a história da Lava-Jato, numa série 'baseada em factos reais', o cineasta José Padilha incorre na distorção da realidade e na propagação de mentiras de toda sorte para atacar a mim e ao Presidente Lula", diz Rousseff, acusando o realizador de "inventar factos". "Não reproduz fake news. Ele próprio tornou-se um criador de notícias falsas."
E dá exemplos. A série sugere que o escândalo do Banestado (sobre o envio ilegal de 19 mil milhões de dólares para os EUA por políticos e empresários através do sistema financeiro público do Brasil) aconteceu em 2003, no início do primeiro mandato de Lula da Silva, mas o caso rebentou em 1996, durante a Presidência de Fernando Henrique Cardoso.
Acusando Padilha de praticar "assassinato de reputações", Rousseff salienta uma outra passagem da série, sobre o uso da expressão "estancar a sangria", que é posta na boca da personagem inspirada em Lula da Silva – e que é, no fundo, a passagem que tem motivado mais críticas nas redes sociais.
"Na série de TV, o cineasta ainda tem o desplante de usar as célebres palavras do senador Romero Jucá (PMDB-RR) sobre 'estancar a sangria', na época do impeachment fraudulento, num esforço para evitar que as investigações chegassem até aos golpistas. Jucá confessava ali o desejo de 'um grande acordo nacional'. O estarrecedor é que o cineasta atribui tais declarações ao personagem que encarna o Presidente Lula", diz Rousseff.
Já esta quinta-feira, num comício em Curitiba, o ex-presidente Lula da Silva disse que vai "denunciar os responsáveis" por aquilo que diz ser "uma peça que é mais uma mentira". "Nós vamos processar a Netflix, nós não temos que aceitar isso. Eu não vou aceitar", disse Lula da Silva.
Ouvido pelo site Observatório do Cinema sobre estas e outras acusações de que está a contribuir para a criação de ruído no debate sobre a corrupção no Brasil, o realizador José Padilha disse que a polémica é "boboca" (tonta).
"A repetição do uso de uma expressão idiomática comum, como 'estancar a sangria', não guarda qualquer significado", disse Padilha, levando ainda mais longe a tentativa de fintar a acusação de que pôs na boca de Lula da Silva, de forma deliberada, uma expressão usada pelo actual líder do partido de Michel Temer: "O facto de o Jucá ter usado a expressão 'estancar a sangria' não a interdita."
Quanto à acusação de que "faz ficção ao tratar da história do país, mas sem avisar a opinião pública", nas palavras de Dilma Rousseff, Padilha deixa uma resposta seca: "Na abertura de cada capítulo da série avisamos que factos foram alterados para efeitos dramáticos. Para o pessoal que sabe ler, portanto, não há ruído algum!"