Haitiana que mora no Brasil diz que companhia aérea a impediu de embarcar para a Europa: 'Tentaram me humilhar e me intimidar'
Ruth Lydie Joseph mora desde 2020 em Foz do Iguaçu, onde cursa relações internacionais na Universidade Federal da Integração Latino-Americana; caso registrado em aeroporto em Guarulhos passou a ser acompanhado pelo Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante. Latam disse que realocou cliente.
Por Paola Patriarca, Gustavo Honório,
Uma estudante haitiana do curso de relações internacionais da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) afirma ter sido impedida de embarcar em dois voos para a Europa pela companhia aérea Latam no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, e relata ter sofrido discriminação durante a abordagem.
O Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante (CDHIC) acompanhou o caso e considerou grave a situação vivida pela estudante, especialmente pela ausência de informações claras, de assistência adequada e pela possibilidade de tratamento discriminatório (veja mais abaixo).
Em nota, a Latam informou que a cliente foi realocada para outro voo, que partirá na próxima segunda-feira (16) para Madri, na Espanha (veja abaixo a íntegra do comunicado).
Ruth Lydie Joseph, de 32 anos, tem visto humanitário e mora no Brasil desde 2020 em Foz do Iguaçu, Paraná. Ela participa de um programa de mobilidade acadêmica para a Philosophical Faculty da University of Hradec Králové, na República Tcheca, onde irá participar de um intercâmbio acadêmico até junho deste ano.
Ao g1, Ruth disse que chegou ao aeroporto na última terça-feira (10) para embarcar em um voo da Latam com destino a Praga, com escala em Frankfurt. Porém, enquanto estava na fila para despachar as bagagens, um segurança da companhia aérea tomou as etiquetas de bagagem de sua mão e passou a fazer diversos questionamentos sobre sua viagem.
"Ele pediu meu passaporte e documento de identidade. Achei que ele queria fazer meu check-in. Ele começou a me fazer perguntas como o que eu estava fazendo no Brasil, há quanto tempo eu morava aqui e o que eu ia fazer em Praga", disse.
E complementou: "Fiquei confusa, porque toda vez que ele não estava satisfeito com minhas respostas, ele piorava a situação na frente de todos. Ele disse que eu não ia mais viajar. Arrancou minhas etiquetas de bagagem e confiscou minhas passagens. Eles estavam tentando me humilhar e intimidar na frente de todos".
Em seguida, foi informada de que não teria o “perfil adequado” para a viagem. Neste momento, ela acabou perdendo o primeiro voo.
"Eu disse a eles que a Unila estava tentando assumir o caso e pediu um relatório por escrito. Eles disseram que podiam fazer isso, mas optaram por remarcar minha viagem depois de me avaliarem novamente", contou.
Diante da situação, a estudante remarcou a viagem para o dia seguinte, na quarta-feira (11), desta vez em um voo para Praga com escala em Lisboa. No entanto, devido ao curto tempo para emissão do novo cartão de embarque, ela acabou perdendo também essa segunda tentativa. Ruth ressalta que mais uma vez não recebeu assistência da companhia.

Nenhum comentário:
Postar um comentário