Em iniciativa inédita, Brasil quer mobilização internacional para lidar com moradores de rua
Governo Lula apresentará projeto na ONU; problema afeta mais de 365 mil brasileiros e 300 milhões de pessoas são considerados como sem-teto no mundo
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Publicada 21/02/2026*
O governo do Brasil
apresentará no Conselho de Direitos Humanos da ONU uma proposta inédita de resolução
sobre pessoas em situação de rua. O principal objetivo da iniciativa, na
próxima semana, é incentivar os Estados a formular e implementar programas
nacionais adaptados às necessidades específicas das pessoas em situação de rua.
A avaliação do
governo brasileiro é que o número crescente de pessoas em situação de rua é
motivo de preocupação tanto em países em desenvolvimento quanto em países
desenvolvidos.
De acordo com a
ONU, o mundo enfrenta uma crise habitacional sem precedentes. A entidade estima
que 318 milhões de pessoas estão em situação de sem-teto, enquanto 2,8 bilhões
de pessoas — mais de um terço da população mundial — não têm acesso a moradia
adequada. Por trás desses números alarmantes, escondem-se profundas
desigualdades que comprometem o progresso social e a dignidade humana.
Mas a constatação
do Brasil é de que, até o momento, o problema tem sido tratado de forma
segmentada e com foco apenas nos aspectos mais visíveis do problema, como a
falta de moradia adequada.
Agora, a nova
iniciativa busca promover a proteção dos direitos humanos das pessoas em
situação de rua em toda a sua complexidade, ressaltando a interação entre
pobreza, discriminação, perda de vínculos familiares, desemprego e outras
questões socioeconômicas que levam as pessoas a viver nas ruas, o que demanda
uma abordagem multidisciplinar e integrada.
Um levantamento
do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em
Situação de Rua, da Universidade Federal de Minas Gerais, revelou em janeiro
que o número de pessoas que vivem em situação de rua chegou a 365 mil no final
de 2025. Um ano antes, esse número havia sido de 327 mil.
O estado de São
Paulo concentra 45% da população de rua do país, com mais de 150 mil pessoas.
Cerca de 105 mil estão na capital paulistana.
No auge da
pandemia, entre 2020 e 2021, o número de pessoas em situação de rua havia caído
para 158 mil pessoas. Mas, a partir de 2022, essa situação se reverteu.
A defesa da
proposta fará parte da agenda da ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania,
Macaé Evaristo. Ela ainda presidirá um evento dedicado ao tema dos direitos
humanos das pessoas em situação de rua no primeiro dia de reuniões do Conselho,
em 23 de fevereiro.

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