Representantes do mundo árabe se encontram com o Papa para testemunhar que a paz não é uma utopia
Rosario Capomasi – Vatican News
"Consola-nos o encorajamento do Papa quando diz que Deus nos criou à sua imagem e semelhança e nos deu uma dignidade única e indelével", que deve ser sempre defendida num mundo afligido por guerras e violência de todos os tipos, "como vivemos diariamente no nosso país". Estas são as palavras de alguns sacerdotes e leigos ucranianos da Igreja greco-católica que participaram da Audiência Geral na última quarta-feira (09/09), na Praça São Pedro. Nestes dias eles estão em Roma participando do fórum dos responsáveis pela Pastoral Juvenil que trabalham nas eparquias e nos exarcados europeus. O encontro teve início na última terça-feira, dia 8, e se conclui nesta quinta-feira, 10 de setembro.
A gratidão pela proximidade ao sofrimento do povo ucraniano
Os representans do mundo árabe agradeceram ao Papa Leão XIV pelo que ele destacou esta manhã em sua catequese da Audiência Geral e, mais ainda, pelos seus repetidos apelos pela paz em sua terra, conforme feito no Angelus do último domingo, quando o Pontífice desejou o fim do conflito na Ucrânia e expressou sua proximidade “ao sofrimento da população, que há anos vive na angústia e no medo”. Angústia que, pelo menos no dia do encontro com o Pontífice, pareceu, no entanto, desaparecer no olhar desses jovens, alguns dos quais se refugiaram em outros países. Na Audiência Geral, eles estavam acompanhados pelo bispo redentorista Bryan J. Baida, ordinário dos ucranianos de Toronto, e pelo padre Roman Dermush, vice-diretor da Comissão de Pastoral Juvenil da Igreja greco-católica ucraniana (UGCC). “Nosso desafio — explicou ele — é fortalecer e fazer crescer a fé e a espiritualidade dos jovens ucranianos que fugiram de sua terra, procurando aliviar o seu o seu sofrimento. Nesse sentido, agradecemos ao Pontífice por sua incansável proximidade às aflições de nosso povo, uma proximidade que também nos ajuda a curar as feridas visíveis e invisíveis da pessoa”.
No caminho do diálogo com o mundo árabe e budista
Também este presente na Praça São Pedro, na última quarta-feira, no âmbito da Audiência Geral, a "Plataforma Inter-religiosa para o Diálogo e a Cooperação no Mundo Árabe". O compromisso dessa plataforma "também cresce no caminho da reconciliação". Os membros do organismo encontram-se em Roma, por ocasião de uma reunião com o Centro Internacional Rei Abdullah bin Abdulaziz para o Diálogo Inter-religioso e Intercultural (KAICIID), representado na Praça São Pedro pelo secretário-geral António de Almeida-Ribeiro, que foram recebidos pelo Papa. "Queríamos nos encontrar com Leão XIV durante o nosso encontro em Roma", observou o secretário, "para reafirmar mais uma vez a nossa dedicação absoluta ao diálogo entre as religiões, como um caminho indispensável para alcançar a concórdia não só no Oriente Médio, mas em todos os lugares. Hoje estamos aqui, junto com representantes dos mundos copta, xiita e sunita, para testemunhar que a paz não é uma utopia".
Não muito longe dali, reafirmou essas palavras, o xaveriano Paulin Batairwa Kubuya, subsecretário do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso, que acompanhou uma delegação de cerca de vinte monges budistas japoneses. A participação na audiência de quarta-feira, explicou ele, é "uma tradição que se renova desde 1965, quando o Concílio Vaticano II se abriu oficialmente ao budismo graças à declaração Nostra aetate".
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