segunda-feira, 2 de abril de 2018

PREFEITURA ODEIA ÁRVORES

Portal Metro1

Abaixo-assinado pede permanência de árvores em trajeto do BRT


Abaixo-assinado pede permanência de árvores em trajeto do BRT

Assinado, até o momento dessa publicação, por mais de 8,5 mil pessoas, um abaixo-assinado pede que a prefeitura de Salvador mantenha as árvores no trajeto em que deve passar o BRT.
A obra foi anunciada na semana passada pelo prefeito de Salvador, ACM Neto. De acordo com o texto da petição online, 579 árvores serão arrancadas. Além disso, a gestão municipal deve "tampar" dois rios: o Lucaia e o Camarajipe.
"O projeto do BRT Lapa Iguatemi destrói a natureza e acrescenta muito cimento, deixando tudo muito feio. As vias elevadas não resolverão o problema do engarrafamento - na verdade, há o risco de piorar esse problema. O custo estimado inicialmente em mais de R$ 1 bilhão faz do BRT Lapa Iguatemi o BRT mais caro do Brasil, isso sem considerar o valor dos ônibus a serem comprados, os sempre esperados aditivos contratuais, e os possíveis casos de superfaturamento da obra e de corrupção".
De acordo com a prefeitura, o primeiro trecho dos corredores do BRT vai ligar a região do Parque da Cidade à estação de integração do metrô na área da rodoviária. O sistema será integrado ao metrô. Ainda segundo a prefeitura, a obra vai possibilitar a criação de linhas exclusivas, em corredores de tráfego próprios e segregado das demais vias. Este primeiro trecho terá 2,9 km de extensão. Veículos utilizados pelo sistema serão do tipo ônibus articulados, com capacidade para 170 passageiros e comprimento máximo de 23 metros, operando a uma velocidade comercial de 25 a 40 km/h. As intervenções ainda envolvem a construção de três viadutos, sendo um no sentido Parque da Cidade/Lucaia, outro na direção Parque da Cidade/Iguatemi e mais um no Iguatemi, perto do viaduto Raul Seixas.

COMENTÁRIO DO BLOGUEIRO
Em julho 2017 com o amigo Álvarfo Almeida, fomos fotografar as árvores ameaçadas da Avenida Juracy Magalhães.
Aqui estão as fotos:











A QUEDA DO IMPÉRIO

A queda do império

Trinta anos separam a escrita dos dois romances reunidos agora neste livro. Um deles, Ualalapi, foi considerado um dos mais importantes romances africanos de sempre.

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Ungulani Ba Ka Khosa — que é historiador de formação — recorre à História para apoiar uma narrativa ficcionada
Este livro, com o título genérico Gungunhana, reúne dois textos (romances) do escritor moçambicano Ungulani Ba Ka Khosa (n. 1957) — nome tsonga de Francisco Esaú Cossa: o seu livro de estreia, Ualalapi (originalmente publicado em 1987), e um outro texto, até agora inédito, As Mulheres do Imperador; o primeiro narra a ascensão e queda de Gungunhana, o último imperador de Gaza, que subiu ao poder depois de Ualalapi, um guerreiro nguni, ter matado Mafenane, irmão do futuro imperador e também pretendente ao trono, após a morte do pai; o segundo texto é a narração ficcionada das vidas das mulheres do imperador, regressadas a Moçambique depois de terem passado década e meia num exílio forçado em São Tomé.
Trinta anos separam a escrita destes dois romances, e é curioso notar como o modo narrativo se parece ter adestrado a uma outra maneira de contar, mais corrente na escrita, menos poética e aforística, afastando-se da tradição oral africana dos contadores de histórias (que era bem visível em Ualalapi, em parte devedor de Quando Tudo Se Desmorona – considerado o romance seminal africano – do nigeriano Chinua Achebe), mas nunca perdendo a concisão narrativa e a assertividade clarividente que caracterizam o primeiro.
Ungulani Ba Ka Khosa — que é historiador de formação — recorre à História (mas não só, também, por exemplo, à etnografia) para apoiar uma narrativa ficcionada. Começou por fazê-lo no seu romance de estreia, Ualalapi — considerado por muitos como um dos mais importantes romances africanos de sempre — ao retratar, numa espécie de “contos contínuos” (quase poderão ser lidos de maneira independente), o declínio e a queda do império de Gaza com base na figura histórica do imperador Ngungunhane (a quem os portugueses chamaram Gungunhana). É uma “metaficção historiográfica”, disseram alguns. Numa escrita veloz, por vezes bastante violenta e crua, perpassada de aforismos (sobretudo nos diálogos sábios e na voz das mulheres), Ba Ka Khosa intertextualizou fragmentos de documentação histórica coeva (relatórios dos governadores da província de Moçambique, livros de memórias, discursos oficiais) com uma narrativa ficcional que procura o suporte na tradição oral, para desmitificar um herói nacional descrevendo-o como um homem cruel, violento e sanguinário.Ualalapi vai-se construindo como um painel de mosaicos, ou como um jogo de luz num vitral que a filtra e a oferece em diferentes cores, cabendo ao leitor o lento processo da reconstituição da narrativa.
O recurso à História caracteriza parte da obra do escritor moçambicano que, também em Choriro (Sextante, 2015), narra a história de um rei branco no Vale do Zambeze na segunda metade do século XIX, de seu nome Luís António Gregódio; neste romance, esse uso de materiais narrativos (embora existindo) não é posto de maneira tão evidente. O mesmo já não acontece em As Mulheres do Imperador, em que a figura histórica de Mouzinho de Albuquerque, “responsável directo pela queda do império” de Gaza, surge apenas evocado por referências a documentos.
O aparente conflito entre a História (olhada nos livros de Ba Ka Khosa como uma versão de uma certa verdade oficializada) e a tradição oral, conflito entre a escrita e a fala que perpetua o passado, ambas com a função de passarem o testemunho, parece ser o motor que impele as narrativas e a procura de uma outra ‘verdade’ histórica. Se isto já era evidente em Ualalapi e em Choriro, é-o talvez ainda mais em As Mulheres do Imperador. Neste último texto o leitor acompanha a vida presente (também parte da que foi passada no exílio santomense) de quatro das sete mulheres que foram presas com Gungunhana por Mouzinho de Albuquerque (então governador militar da província de Moçambique), enviadas com o imperador para Lisboa, e depois apartadas deste (que seguiu para a ilha Terceira, onde viria a morrer) e mandadas para São Tomé.
Ao mesmo tempo que decorre o contar das vidas dessas mulheres, o narrador vai tecendo várias considerações sobre a história colonialista em Moçambique, como, por exemplo, a comparação que faz sobre o colonialismo inglês na África do Sul e o português naquela sua província no que diz respeito à língua. Depois há ainda uma leitura social do facto de a monarquia nguni não despertar “simpatia nem saudade” entre a população indígena, o que justifica o anonimato em que as mulheres de Gungunhana (rainhas legítimas) regressaram, em 1911, a Lourenço Marques. “Elas não eram notícia. Não existiam. Foram elididas da memória. Em parte, o facto explicava-se, segundo o governador [civil], pelo teor do artigo (…) num dos jornais d’O Africano, datado de 1909, sobre o Ngungunhane”, que o apresentava como uma facínora.
Ao ficcionar a História, da maneira que o faz, apoiando-se em fragmentos de documentos coevos, Ba Ka Khosa abre outras possibilidades de leitura a partir de ângulos obscuros, tornando isto como uma das funções das suas narrativas.


AINDA FALANDO DO "REI DO BENIN"


 " (...) vi esse cara pela primeira vez no Forum Social, ele andava grudado com um alto sacerdote de Uidá que esteve aqui. 

No Seja Hunde em Cachoeira ele supostamente recebeu, do cara de Uidá, o título de Sumo Pontífice do Culto ao Vodun no Brasil (veja anexo). 

Quando fui verificar quem era ele na internet fiquei de boca aberta. 

Foi preso várias vezes por estelionato. 

Pelo que encontrei, não tem registro dele usar o nome de Verger materialmente, para picaretagem, mas é bom ficar atento."


 Quem assinou esta mensagem pediu para que seu nome fosse retirado, com medo das ameaças do tal.
Aqui o pedido:





MARCELO LIMA DOS ANJOS

Experiência:

Sou Professor Universitário e Pesquisador da área, bem como adepto e renascido em Ifá (FATUMBI), ao culto de Orunmila, em 11 de Fevereiro de 1996, com a morte de Pierre Fatumbi Verger. Nascido em Salvador, Bahia e responsável pela descoberta da linhagem da Gomeia no Centro Oeste.




 



Homem que se passava por assessor de Dilma é preso
Ele pedia empregos em nome de secretário
DE BRASÍLIA
Um vendedor de pastel de Formosa (GO) se passava pelo secretário-executivo da Casa Civil, Beto Vasconcelos.
Marcelo Lima dos Anjos foi preso pela Polícia Federal em setembro. Ele foi detido quando tentava pedir um emprego na mineradora Vale.
Marcelo ligava para órgãos do governo e empresas privadas fingindo ser Vasconcelos, um dos assessores mais próximos da presidente Dilma, e pedia emprego para um suposto amigo, que, na verdade, era ele mesmo.
O caso foi revelado pela revista "Veja" desta semana.
Em 2004, o vendedor de pastéis já havia sido preso em flagrante, na Bahia, por telefonar e pedir dinheiro a deputados e vereadores, fingindo ser o então procurador-geral de Justiça da Bahia.
Em 2008, foi preso por fingir ser professor de uma fundação da da UNB (Universidade de Brasília). Ele se apresentava como advogado e ex-procurador da República.
Desconfiado, um funcionário da UnB encontrou a notícia da primeira prisão dele e comunicou as autoridades.
Na época, a Polícia Civil do Distrito Federal informou que, em um ano e oito meses em Brasília, Marcelo adquirira um automóvel Honda Civic e dois apartamentos na cidade-satélite de Águas Claras. A Folha não conseguiu localizá-lo ontem.
22/06/08 - 12h34 - Atualizado em 22/06/08 - 13h49

Polícia prende suspeito de estelionato que dava aula na UnB

Marcelo Lima dos Anjos era procurado por estelionato na Bahia.
A suspeita é que ele tenha apresentado diploma falso.
Do G1, com informações do DFTV

A Polícia Civil prendeu Marcelo Lima dos Anjos, na manhã de sábado (21), na casa dele, em uma área comercial da Asa Norte, bairro nobre de Brasília.
Professor voluntário da Universidade de Brasília (UnB), ele responde a quatro processos na Bahia por estelionato e tinha um mandado de prisão preventiva, expedido pela Justiça do estado no ano passado.
Veja o site do DFTV

Em nome de autoridades, como o procurador-geral e o arcebispo de Salvador, Marcelo Anjos teria arrecadado dinheiro com parlamentares e personalidades. Foi preso duas vezes e há um ano e oito meses estava em Brasília. Trabalhou no Incra e na Faculdade IESB. Em fevereiro desde ano entrou na UnB, segundo a polícia, sem apresentar diploma universitário. 

O suspeito disse na delegacia que começou a dar aula na UnB indicado por um professor e ex-diretor da Fundação de Estudos e Pesquisas em Administração e Desenvolvimento (Fepad). Uma fundação de apoio responsável por gerir os recursos de pesquisa do Núcleo de Estudos em Saúde Pública (Nesp) da UnB. Em menos de quatro meses, ele passou a integrar uma comissão criada para reerguer a Fepad, que passa por uma crise financeira. E em um mês, se tornou coordenador da comissão. 

Marcelo Lima dos Anjos teve reuniões com o reitor, com o Ministério Público e com a Controladoria-Geral da União. E pode ser o responsável por um suposto desvio de R$ 200 mil dos cofres da fundação. 

“Ele vai responder por tentativa de estelionato, porque estava em curso um golpe contra as finanças da fundação de pesquisa. E nós vamos investigar, a fundo, o que está por trás desse estelionatário. Como é que ele consegue galgar tantos cargos”, afirma o delegado Miguel Lucena. 

Foi o professor Edgar Merchab que desmascarou o estelionatário. O perfil de Marcelo Lima dos Anjos na página do CNPq não mostrava nenhuma produção científica. E ao fazer uma busca pelo nome dele na internet, a primeira coisa que apareceu foi uma notícia sobre a prisão dele na Bahia. 

“Ele tinha uma procuração do diretor anterior para gerir os recursos. Ele iria ter acesso aos recursos, com certeza”, diz o coordenador do NESP/UnB Edgar Merchab. 

Ao ser preso, Marcelo Lima dos Anjos acabou sendo flagrado cometendo outro crime. Foi pego com um adolescente de 17 anos que sustentava há dois meses. 

Marcelo vai responder também pelo crime de corrupção de menores. A UnB vai instaurar sindicância para saber como Marcelo Lima dos Anjos foi contratado. E informou que ele não dava aula em turmas regulares. Era apenas monitor. No IESB, Marcelo trabalhava desde agosto e foi demitido em maio desse ano.

(ATUALIZAÇÃO: Marcelo Lima dos Anjos foi condenado em 17 de agosto de 2012 a dois anos de reclusão por falsificação de documentos. Como a condenação foi menor do que quatro anos, o juiz converteu a pena para serviços comunitários por 1 ano e 11 meses e pagamento de cestas básicas. A pena só começou a ser cumprida em 21 de fevereiro de 2014. Com base no indulto decretado pela presidente Dilma Rousseff no fim de 2014, ele acabou tendo a pena extinta em 24 de julho do ano passado. A extinção, contudo, não significa que o professor tenha sido absolvido. Ele não foi denunciado pelo suposto crime de corrupção de menores. Marcelo dos Anjos disse que o rapaz de 17 anos que estava na casa dele era um familiar que veio a Brasília para prestar vestibular.)

 





CRY ME A RIVER



Julie London (Santa Rosa26 de setembro de 1926 - Encino18 de outubro de 2000) foi uma cantora de jazz e atriz norte-americana.
Nascida Gayle Peck, iniciou a sua carreira artística no cinema nos anos 1940, bem antes de se tornar famosa como cantora.
Com uma beleza singular, atuou em mais de 20 filmes e fez grande sucesso contracenando com Gary Cooper em O Homem do Oeste (1958). Sua carreira de atriz de cinema e televisão durou mais de 35 anos.
Em 1955, gravou seu primeiro disco, Julie Is Her Name, que foi seguido de muitos outros. Célebre por sua voz sensual, foi a primeira intérprete da canção Cry Me a River, foi uma das artistas mais populares dos anos 1950, sendo considerada a melhor cantora dos Estados Unidos em 19551956 e 1957, pela revista Billboard
Ao longo da sua carreira, gravou 32 álbuns. Entre os seus maiores sucessos, figuram as canções Cry Me A River (que fez parte do seu primeiro disco, gravado em 1955), SwayDesafinado e Fly Me to the Moon. Intérprete versátil, gravou também Light My Fire, dos Doors e Yummy Yummy Yummy do grupo Ohio Express.
Em meados da Década de 1990,London sofreu um derrame,o que levou a metade da Década com saúde debilitada,e contribuiu para a sua morte em 18 de outubro de 2000
Foi sepultada no Forest Lawn Memorial Park (Hollywood Hills)Los AngelesCalifórnia nos Estados Unidos

You were my sun, you were my earth
But you didn't know all the ways I loved you, no
So you took a chance, made other plans
But I bet you didn't think that they would come crashing down, no
You don't have to say, what you did
I already know, I found out from him
Now there's just no chance
With you and me
There'll never be
Don't it make you sad about it?
You told me you love me
Why did you leave me all alone
Now you tell me you need me
When you call me on the phone
Girl I refuse
You must have me confused with some other guy
The bridges were burned
Now it's your turn, to cry
Cry me a river
Cry me a river
Cry me a river
Cry me a river
You know that they say somethings are better left unsaid
It wasn't like you only talked to him
And you know it
(Don't act like you don't know it)
All of these things people told me
Keep messing with my head
Should've picked honesty
Then you may not have thought it
You don't have to say, what you did
I already know, I found out from him
Now there's just no chance
With you and me
There'll never be
Don't it make you sad about it?
You told me you love me
Why did you leave me all alone
Now you tell me you need me
When you call me on the phone
Girl I refuse
You must have me confused with some other guy
The bridges were burned
Now it's your turn, to cry
Cry me a river (Go on and just)
Cry me a river (Go on and just)
Cry me a river (Baby go on and just)
Cry me a river
Oh!
The damage is done, so I guess I be leaving
Oh!
The damage is done, so I guess I be leaving
Oh!
The damage is done, so I guess I be leaving
Oh!
The damage is done, so I guess I be leaving
You don't have to say, what you did
I already know, I found out from him
Now there's just no chance
With you and me
There'll never be
Don't it make you sad about it?
Cry me a river (Go on and just)
Cry me a river (Baby go on and just)
Cry me a river (You can go on and just)
Cry me a river
Cry me a river (Baby go on and just)
Cry me a river (Go on and just)
Cry me a river (Oh baby cry)
Cry me a river (I don't wanna cry no more)
Cry me a river
Cry me a river
Cry me a river
Cry me a river
Cry me a river (Cry me, cry me)
Cry me a river (Cry me, cry me)
Cry me a river (Cry me, cry me)
Cry me a river (Cry me, cry me)
Cry me a river (Cry me, cry me)
Cry me a river (Cry me, cry me)
Cry me a river (Cry me, cry me)

Á SOMBRA DE UM POSTE

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Esquina da Fonte do Boi, Rio Vermelho, Salvador, Bahia.

À sombra de um poste, 15. Na cidade que derruba árvores enquanto se entope de cimento. 


Foto de Claudio Leal

NADA A PERDER

'Nada a Perder' faz polêmica 

com episódio da Record

O filme

Talvez fosse necessária uma auditoria. "Nada a Perder - Contra Tudo. Por Todos", a cinebiografia do bispo Edir Macedo por Alexandre Avancini, estreou na quinta, 29, alardeando números grandiosos. O longa vendeu antecipadamente 4 milhões de ingressos, o que o converte no maior sucesso de bilheteria do cinema brasileiro no ano, até agora. Sucesso de bilheteria, mas não de público. A reportagem constatou que o filme estreou para salas praticamente vazias.
A auditoria poderia ser para constatar quantos, dos ingressos vendidos, corresponderam a espectadores que realmente viram o filme. Pode parecer injusto - os ingressos foram comprados. Mas a injustiça é com os filmes que são vistos e permanecem abaixo desse total.
"Nada a Perder" é sobre uma fraude - o julgamento viciado a que foi submetido o bispo, pelo menos essa é a tese defendida pelo diretor Avancini em sua ficção.
"Nada a Perder" começa justamente com a prisão do bispo. Uma perseguição nas ruas, ele é tirado de dentro do carro e algemado diante da mulher e da filha. Os policiais mais parecem bandidos, agem com truculência e sua arrogância vai permanecer por todo o filme.
A prisão ocupa o começo e o fim, e "durante" o filme conta a história de Dedinho, o menino estigmatizado por uma má formação congênita nas mãos e que cresce revoltado - contra Deus. Mas ele não se revolta só pelo próprio problema. Sofre pela irmã, com sua dificuldade de respirar, sofre pelos pobres. Seu sonho é a evangelização, e para realizá-lo, Edir vai fundar a própria igreja. A Universal do Reino de Deus. Contra tudo, por todos.
E o roteiro chega ao xis da questão. Para aumentar sua força evangelizadora, Edir precisa de uma TV. Compra a Record e é alvo de uma investigação que o filme mostra como complô de políticos, empresários do ramo e representantes da Igreja Católica. O juiz é corrupto e faz parte do grupo que o acusa de falsidade ideológica e crimes contra a fé - charlatanismo. No limite, Edir é salvo pelo Plano Collor, que derruba as dívidas em dólar, e pelas orações do povo, que faz vigília diante da cadeia. "Nada a Perder" é sobre a força do povo, a força (interior) do homem íntegro.
Naturalmente que essa exaltação do homem puro, do homem simples - Edir - toma ares de hagiografia. Em bom português, o filme é chapa-branca, mas a discussão jurídica que atravessa "Nada a Perder" (roubou? Não roubou?) não deixa de refletir, como um espelho, dúvidas que assolam o Brasil real. Ah, sim. Edir chega à Polícia Federal - no filme, os coletes dizem Civil -, chama a agente de "minha filha". Ela reage - não é "filha". Você já viu isso, com outros termos e personagens.
O diretor Alexandre Avancini, filho de Walter, já provocou polêmica com "Os Dez Mandamentos", outro megassucesso de bilheteria - a maior do cinema brasileiro - que não foi referendado pelo público. "Os Dez Mandamentos" era uma súmula da novela. Condensar uma novela inteira em duas horas, dar um mínimo de coerência à história e aos personagens não representa pouco. Desta vez, Avancini não trabalha sobre imagens já captadas. Ele filmou, e contou com bons atores - Petrônio Gontijo e Day Mesquita, que fazem Edir e a mulher, Ester.
Avancini não quis dar entrevista, não mostrou o filme para a imprensa. Seria interessante discutir com ele o subtexto político de sua história. No final, a surpresa - aliás, duas. O filme termina em aberto, prometendo uma sequência. E o próprio bispo marca presença, convidando o público para orar na poltrona. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

MAIS UMA QUE NÃO SABIA DE NADA!

Isabel dos Santos diz em tribunal que não é “boa” com datas nem com contas

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Empresária angolana está a ser acusada de bloquear o pagamentos de dividendos da Unitel à brasileira Oi e de criar uma empresa nas Ilhas Virgens Britânicas para prestar serviços suspeitos à Unitel.
Isabel dos Santos não sabe, não se lembra, não conhece “detalhes”, faltam-lhe papéis porque mudou “muitas vezes” de casa e não é “boa” com datas nem tem nas “contas” o seu “forte”. Estas são algumas das respostas que a empresária angolana deu num processo de arbitragem internacional, em Paris, no qual Isabel dos Santos está a ser acusada de bloquear o pagamentos de dividendos da Unitel à brasileira Oi e de criar uma empresa nas Ilhas Virgens Britânicas para prestar serviços à Unitel que, segundo os advogados da Oi/PT Ventures, podem configurar a prática de gestão lesiva para a Unitel.
A transcrição da audiência a Isabel dos Santos, no tribunal internacional, é noticiada pelo Público esta segunda-feira. Este é um processo na Câmara de Comércio Internacional de Paris cujo desfecho deverá ser conhecido nas próximas semanas.
A acusação original, feita pelos brasileiros da Oi, que ficaram com a participação da Portugal Telecom na telecom angolana Unitel, é de que os angolanos bloquearam o pagamento de cerca de 600 milhões de euros em dividendos. Mas a acusação feita pelos advogados da Oi (em rigor, da PT Ventures, que tem a posição acionista na Unitel) vai muito mais longe: a filha do ex-presidente angolano terá criado uma empresa nas Ilhas Virgens Britânicas — chamada Tokeyna — para que essa empresa prestasse serviços de “consultoria e suporte” à Unitel, pagos com valores de centenas de milhões de dólares.
Os advogados da PT Ventures perguntaram a Isabel dos Santos se sabia como foi calculado pagamento de 2013 à Tokeyna (155 milhões de dólares). “O meu forte não são as contas”, retorquiu, a dada altura, Isabel dos Santos: “sou engenheira e a maior parte das minhas contribuições passou pelo desenho técnico da rede ou pelo marketing. Os termos financeiros não foram uma contribuição minha. Não sei”.
Logo o primeiro pagamento da Unitel à Tokeyna, logo em 2012, foi feito pela transferência para esta “offshore” de Isabel dos Santos do direito ao reembolsada de 465 milhões de dólares (370 milhões de euros) emprestados pela Unitel SA à Unitel International Holdings (outra sociedade holandesa que é detida apenas por Isabel dos Santos) entre maio de 2012 e agosto de 2013.
Segundo o processo, os auditores da Unitel SA, nessa altura a consultora PwC, emitiram reservas às contas de 2013, considerando que as transacções com a Tokeyna reduziam em 764 milhões de dólares o valor contabilístico da companhia e impactavam negativamente o resultado líquido desse ano em 434 milhões de dólares. O contrato acabaria por ser anulado, sem que tenham sido prestados quaisquer serviços — a própria Unitel, ao Público, diz que “infelizmente, nunca se tornou uma prestadora de serviços da Unitel”, já que “a Unitel preferiu usar outras empresas do grupo”.