ESTÁ TRÊS ANOS ATRASADO
Alvaro Costa e Silva
Já o centenário do samba é ato falso. Como se gênero musical pudesse ter dia exato de nascimento, está valendo o escrito na Biblioteca Nacional, segundo o qual, em 25 de outubro de 1916, o samba carnavalesco "Pelo Telefone" teria sido executado pela primeira vez num velho teatro da Tijuca. O registro foi feito, sob o nº 3.295, em 27 de novembro do mesmo ano.
Sem dúvida, "Pelo Telefone" ganhou a fama com sua colcha de retalhos musicais, aproximados do maxixe. E o refrão da quarta parte, quem diria, teve origem no folclore nordestino. Acontece que, três anos antes, em 1913, já havia sido gravada a composição "Em Casa de Baiana", de Alfredo Carlos Brício, como "samba de partido alto". Ou seja, estamos comemorando uma data supostamente redonda com ligeiro atraso.
E o autor? Cadê o autor da façanha? Na letra fria, Donga e Mauro de Almeida (o jornalista "Peru dos Pés Frios") são os donos de "Pelo Telefone". Mas, no batuque e no improviso, a lista dos que reivindicaram a autoria é longa: Germano Lopes da Silva, Hilário Jovino Ferreira, João da Mata, Didi da Gracinda — e até Sinhô, o "Rei do Samba", e a própria Tia Ciata da Pequena África carioca na praça Onze.
Sem estresse. Na hora das homenagens, sempre cabe mais um penetra. Sobretudo quando a verba é pública.
Nenhum comentário:
Postar um comentário