domingo, 4 de novembro de 2018

UNCHAINED MELODY



Oh, my love, my darling
I've hungered for your touch
A long, lonely time
Time goes by so slowly
And time can do so much
Are you still mine?
I need your love
I need your love
God speed your love to me
Lonely rivers flow
To the sea, to the sea
To the open arms of the sea
Lonely rivers sigh
"Wait for me, wait for me"
I'll be coming home, wait for me
Oh, my love, my darling
I've hungered, for your touch
A long, lonely time
Time goes by so slowly
And time can do so much
Are you still mine?
I need your love
I need your love
God speed your love to me

Compositores: Alex North / Hy Zaret



Unchained Melody é uma canção popular, com música de Alex North e letra de Hy Zaret, lançada no filme Unchained, na voz de Todd Duncan. É uma das canções mais gravadas do século XX, com cerca de 500 versões em diversos idiomas. Foi lançada originalmente por Al Hibbler em 1955 e, no mesmo ano, Roy Hamilton lançou sua versão. A canção acabou se tornando o tema principal do grande sucesso cinematográfico Ghost, com Patrick Swayze e Demi Moore na década de 1990, na versão da dupla The Righteous Brothers.
Nuno Dbytes a cantou em vários shows no ano de 1977, no entanto, as suas primeiras performances ocorreram em alguns dos últimos shows no mês de dezembro de 1976. Uma versão de 24 de abril de 1977 foi gravada oficialmente e lançada no disco Moody Blue, Elvis também cantou essa música no show do dia 21 de junho de 1977, mas curiosamente essa interpretação não foi exibida na época no especial que foi ao ar em outubro pela CBS chamado Elvis in Concert, no entanto, a versão gravada no show do dia 21 foi lançada no vídeo de 1990 chamado "The Great Performances, Vol. 1". O áudio da música "Unchained Melody" gravada no show do dia 21 só foi lançada em março de 1978 em um compacto simples com "Softly, As I Leave You" no "lado B". É considerada uma das maiores interpretações da carreira de Elvis.
Em 1989 a banda U2 regrava esta música e a lança em 1998 no álbum duplo The Best of 1980-1990 & B-Sides.
Em 2003, a cantora Cyndi Lauper também regravou a canção no álbum "Live...At Last".
A música foi interpretada por Melissa Benoist, Blake Jenner e Jacob Artist na série Glee, em que estes recriam a cena do filme Ghost. O nome do episódio é "Girls (and Boys) on Film" e foi exibido nos Estados Unidos pelo canal FOX.

sábado, 3 de novembro de 2018

OS HOMOSSEXUAIS DE CUBA E A TORTURA

Cuba reforma Constituição para reverter décadas de homofobia

Projeto de reforma aprovado na Assembleia Nacional redefine o casamento como a “união entre duas pessoas”


A Assembleia Nacional de Cuba debateu neste domingo um artigo da futura reforma constitucional que abre caminho para o reconhecimento do casamento homossexual na ilha comunista. No anteprojeto, que foi aprovado no fim de semana pelos parlamentares e será submetidos nos próximos meses a consulta popular, o casamento é redefinido como a “união entre duas pessoas”. O texto atual especifica o matrimônio como a união de um homem e uma mulher. A aprovação do artigo representa um avanço importante num país que arrasta o peso de décadas de discriminação a seus cidadãos por sua orientação sexual, e que nos anos sessenta chegou a internar gays em campos de trabalhos forçados.

Roiniel Torres e Dariel Hernández conversam no Malecón de Havana.

“Com esta proposta de regulamentação constitucional, Cuba se situa entre os países da vanguarda no reconhecimento e na garantia dos direitos humanos”, afirmou a deputada Mariela Castro, que é filha do ex-presidente Raul Castro e uma das principais promotoras do reconhecimento dos direitos da comunidade LGTBI na ilha, na qualidade de diretora do Centro Nacional de Educação Sexual. A parlamentar disse que a reforma constitucional estabelecerá as bases para que futuramente se possa aprovar o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo em uma legislação específica, inclusive contemplando a adoção de crianças por casais de gays e lésbicas. “O Estado deve garantir a todas as famílias os seus direitos e as vias para alcançar estes fins”, acrescentou.

O deputado Miguel Barnet, presidente da União de Escritores e Artistas de Cuba, disse sentir “imenso orgulho” desse avanço. “Estamos inaugurando uma nova era. Esta é uma Constituição dialética e moderna. E, se for preciso quebrar a tradição, que se quebre. No socialismonão cabe nenhum tipo de discriminação entre seres humanos. Sou a favor do artigo 68 [sobre o casamento] da nova Constituição. Senhores, o amor não tem sexo”, afirmou. A parlamentar Yolanda Ferrer defendeu que a diversidade sexual seja “um direito, e não um estigma”, e pediu que “séculos de atrasos” sejam deixados para trás. “Quantas pessoas conhecemos que são homossexuais ou bissexuais e são pessoas dignas, e que estão a cada dia juntas de nós e muitas vezes vivem juntas, mas às quais negamos o direito de constituir família?”, questionou.
A perspectiva de que Cuba autorize o casamento homossexual foi recebida com satisfação pela comunidade LGBTI na ilha, mas em comentários nas redes sociais alguns ativistas salientaram a necessidade de que o avanço nesse aspecto dos direitos sociais seja acompanhado de mais liberdades políticas e de associação
Roiniel Torres e Dariel Hernández passeiam pelo Malecón, a avenida litorânea de Havana.
O projeto de reforma constitucional não prevê nenhuma mudança no sistema político, mantém o Partido Comunista como único partido legal e, embora elimine a referência ao comunismo como modelo ideal, impõe a “irrevogabilidade do socialismo”. O texto foi aprovado unanimemente pelos 605 deputados e, com relação à Constituição vigente, de 1976, escrita sobre o molde das constituições do bloco comunista europeu, contém novidades substanciais, como o reconhecimento da propriedade privada e a instituição do cargo de primeiro-ministro. O projeto será submetido a consulta popular entre 13 de agosto e em 15 de novembro, e finalmente deverá ser aprovado em um referendo ainda sem data marcada.
Falando por telefone de Havana, o ativista LGBTI Isbel Torres, de 43 anos, dizia neste domingo estar “muito contente” com a mudança constitucional sobre o casamento, que ele não esperava. “Achava que as forças mais retrógradas dentro do Governo teriam o poder de evitar, mas felizmente não foi assim”. Torres vê na decisão um passo imprescindível, mas acrescenta que ainda resta “muito trabalho por fazer”. “Cuba continua sendo um país bastante homofóbico, mais nas províncias que na capital, é verdade; mas a homofobia e sobretudo a transfobia abundam, e em nível institucional a polícia e o Exército são lugares onde a homofobia se expressa de maneira terrível. Nas escolas, além disso, o bullying homofóbico é muito comum, e não existe nenhum tipo de prevenção.”
Uma das páginas mais obscuras do castrismo foi a existência, entre 1965 e 1968, das Unidades Militares de Ajuda à Produção, campos de trabalhos forçados para a “reeducação” de indivíduos que o regime do Fidel Castro considerava extraviados com relação à moral revolucionária. As tenebrosas UMAP recebiam delinquentes comuns, dissidentes políticos, religiosos e homossexuais, entre outros. Estima-se que nelas foram encerrados cerca de 30.000 cubanos, sendo 800 deles especificamente por serem gays.

Um passado de torturas

O historiador Abel Serra Madero, estudioso das UMAPs, conta ao EL PAÍS que os detentos chegavam a ser torturados nesses centros, e critica o fato de o Governo cubano nunca ter pedido perdão por isso, e muito menos indenizado as vítimas. “Sempre tentaram demonstrar que as UMAPs foram um erro, e Fidel Castro se isentou das responsabilidades dizendo que estava muito ocupado governando e não sabia o que acontecia ali. Mas não foram um erro isolado. As UMAPs foram um fenômeno sistêmico da revolução.”
A psicóloga Liliana Morenza, junto a dois homossexuais recluídos em 1967 na cidade de Camagüey.
A psicóloga Liliana Morenza, junto a dois homossexuais recluídos em 1967 na cidade de Camagüey.ARQUIVO DE ABEL SIERRA MADERO
Emilio Izquierdo, diretor da associação UMAP Miami, que denuncia o ocorrido nos campos de trabalhos forçados, considera que eles foram “um crime contra a humanidade que deveria ser julgado como tal”. Izquierdo, de 70 anos, passou dois anos preso numa UMAP da província de Camagüey por ser dissidente político e recorda a crueldade especial com que os detentos homossexuais eram tratados. “Eram separados do resto e faziam equipes de trabalho composto só por gays, dividindo-os em grupos diferentes os ativos e os passivos e submetendo-os a todo tipo de insultos, surras e trancamento em calabouços”.

BAR DE HAVANA PROÍBE CASAL GAY DE TIRAR UMA FOTO

Brian Canelles e Arián Abreu.

A homofobia continua muito viva em Cuba. Um caso recente de discriminação é o de Brian Canelles e Arián Abreu, que em 8 de julho foram expulsos de um bar de moda no centro de Havana, o Efe, por tirar uma foto se beijando. À revista El Estornudo, editada na ilha apesar da proibição da imprensa independente, Canelles contou que um funcionário do local lhe disse que o bar não queria “expor essa imagem”. Perguntou a que imagem se referia. “O público gay não interessa para o bar. Não queremos ganhar essa fama”, foi a resposta, segundo o relato de Canelles. Já depois da meia-noite, Abreu, Canelles e sua irmã foram expulsos do local. Segundo o jovem, um segurança agarrou-o pelo braço e o levou-o até a porta. “Eu disse a ele que havia gastado muito dinheiro no bar e que não iria embora sem tirar a foto. Aí ele me retirou e simplesmente fechou a porta”, disse Canelles à revista cubana, pedindo que a empresa se desculpe pelo ocorrido. “É um negócio privado, mas não merecemos ser tratados assim”, disse.
Em declarações ao Estornudo, uma fonte do bar disse que o estabelecimento não tem uma política de discriminação por orientação sexual: “Não somos contra nada. Este é um lugar aberto”, disse. Em sua página do Facebook, o bar publicou uma mensagem em que prometia “sempre erguer a bandeira contra a homofobia”.
O caso teve repercussão em Cuba, e muitas vozes se levantaram para denunciá-lo. Até o Centro Nacional de Educação Sexual, dirigido por Mariela Castro, filha de Raúl Castro, emitiu nota afirmando que “está a par do ocorrido recentemente no Bar Efe da capital, e, consequentemente, está trabalhando para conhecer detalhes dos fatos, auxiliar as pessoas afetadas no processo e informar às autoridades competentes”. Dois dias depois do ocorrido com o casal, uma edição extraordinária do Diário Oficial publicou um decreto em que, entre outras medidas, prevê multa de 2.000 pesos cubanos (287 reais) e o fechamento de qualquer negócio privado que cometer discriminação por gênero ou orientação sexual. O Código Penal cubano prevê até dois anos da prisão a quem discriminar a outra pessoa.

DE ONDE SURGIU O BOLSONARO?

 GUSTAVO BERTOCHE
A imagem pode conter: 1 pessoa, sentado e barba

Desculpem os amigos, mas não é de um "machismo", de uma "homofobia" ou de um "racismo" do brasileiro. A imensa maioria dos eleitores do candidato do PSL não é machista, racista, homofóbica nem defende a tortura. A maioria deles nem mesmo é bolsonarista.
O Bolsonaro surgiu daqui mesmo, do campo das esquerdas. Surgiu da nossa incapacidade de fazer a necessária autocrítica. Surgiu da recusa em conversar com o outro lado. Surgiu da insistência na ação estratégica em detrimento da ação comunicativa, o que nos levou a demonizar, sem tentar compreender, os que pensam e sentem de modo diferente.
É, inclusive, o que estamos fazendo agora. O meu Facebook e o meu WhatsApp estão cheios de ataques aos "fascistas", àqueles que têm "mãos cheias de sangue", que são "machistas", "homofóbicos", "racistas". Só que o eleitor médio do Bolsonaro não é nada disso nem se identifica com essas pechas. As mulheres votaram mais no Bolsonaro do que no Haddad. Os negros votaram mais no Bolsonaro do que no Haddad. Uma quantidade enorme de gays votou no Bolsonaro.
Amigos, estamos errando o alvo. O problema não é o eleitor do Bolsonaro. Somos nós, do grande campo das esquerdas.
O eleitor não votou no Bolsonaro PORQUE ele disse coisas detestáveis. Ele votou no Bolsonaro APESAR disso.
O voto no Bolsonaro, não nos iludamos, não foi o voto na direita: foi o voto anti-esquerda, foi o voto anti-sistema, foi o voto anti-corrupção. Na cabeça de muita gente (aqui e nos EUA, nas últimas eleições), o sistema, a corrupção e a esquerda estão ligados. O voto deles aqui foi o mesmo voto que elegeu o Trump lá. E os pecados da esquerda de lá são os pecados da esquerda daqui.
O Bolsonaro teve os votos que teve porque nós evitamos, a todo custo, olhar para os nossos erros e mudar a forma de fazer política. Ficamos presos a nomes intocáveis, mesmo quando demonstraram sua falibilidade. Adotamos o método mais podre de conquistar maioria no congresso e nas assembleias legislativas, por termos preferido o poder à virtude. Corrompemos a mídia com anúncios de empresas estatais até o ponto em que elas passaram a depender do Estado. E expulsamos, ou levamos ao ostracismo, todas as vozes críticas dentro da esquerda.
O que fizemos com o Cristóvão Buarque?
O que fizemos com o Gabeira?
O que fizemos com a Marina?
O que fizemos com o Hélio Bicudo?
O que fizemos com tantos outros menores do que eles?
Os que não concordavam com a nossa vaca sagrada, os que criticavam os métodos das cúpulas partidárias, foram calados ou tiveram que abandonar a esquerda para continuar tendo voz.
Enquanto isso, enganávamo-nos com os sucessos eleitorais, e nos tornamos um movimento da elite política. Perdemos a capacidade de nos comunicar com o povo, com as classes médias, com o cidadão que trabalha 10h por dia, e passamos a nos iludir com a crença na ideia de que toda mobilização popular deve ser estruturada de cima para baixo.
A própria decisão de lançar o Lula e o Haddad como candidatos mostra que não aprendemos nada com nossos erros - ou, o que é pior, que nem percebemos que estamos errando, e colocamos a culpa nos outros. Onde estão as convenções partidárias lindas dos anos 80? Onde estão as correntes e tendências lançando contra-pré-candidatos? Onde estão os debates internos? Quando foi que o partido passou a ter um dono?
Em suma: as esquerdas envelheceram, enriqueceram e se esqueceram de suas origens.
O que nos restou foi a criação de slogans que repetimos e repetimos até que passamos a acreditar neles. Só que esses slogans não pegam no povo, porque não correspondem ao que o povo vivencia. Não adianta chamar o eleitor do Bolsonaro de racista, quando esse eleitor é negro e decidiu que não vota nunca mais no PT. Não adianta falar que mulher não vota no Bolsonaro para a mulher que decidiu não votar no PT de jeito nenhum.
Não, amigos, o Brasil não tem 47% de machistas, homofóbicos e racistas. Nós chamarmos os eleitores do Bolsonaro disso tudo não vai resolver nada, porque o xingamento não vai pegar. O eleitor médio do cara não é nada disso. Ele só não quer mais que o país seja governado por um partido que tem um dono.
E não, não está havendo uma disputa entre barbárie e civilização. O bárbaro não disputa eleições. (Ah, o Hitler disputou etc. Você já leu o Mein Kampf? Eu já. Está tudo lá, já em 1925. Desculpe, amigo, mas piadas e frases imbecis NÃO SÃO o Mein Kampf. Onde está a sua capacidade hermenêutica?).
Está havendo uma onda Bolsonaro, mas poderia ser uma onda de qualquer outro candidato anti-PT. Eu suspeito que o Bolsonaro só surfa nessa onda sozinho porque é o mais antipetista de todos.
E a culpa dessa onda ter surgido é nossa, exclusivamente nossa. Não somente é nossa, como continuará sendo até que consigamos fazer uma verdadeira autocrítica e trazer de volta para nosso campo (e para os nossos partidos) uma prática verdadeiramente democrática, que é algo que perdemos há mais de vinte anos. Falamos tanto na defesa da democracia, mas não praticamos a democracia em nossa própria casa. Será que nós esquecemos o seu significado e transformamos também a democracia em um mero slogan político, em que o que é nosso é automaticamente democrático e o que é do outro é automaticamente fascista?
É hora de utilizar menos as vísceras e mais o cérebro, amigos. E slogans falam à bile, não à razão.

UM ESCÂNDALO (MAL) ABAFADO


Eram diamantes, sim!

Publicado em 2000 pela Bustamante Editores, com apresentação do então arcebispo primaz do Brasil, dom Geraldo Majella Agnello, e textos assinados por alguns dos mais prestigiosos pesquisadores em história da arte do país, entre eles a museóloga Mercedes Rosa, reconhecida especialista em prataria, o livro “Bahia: Tesouros da Fé” é uma referência em matéria de patrimônio de arte sacra da Bahia. 

Na página 23 podemos ler a respeito do tabernáculo da catedral basílica, hoje vítima de vândalos: “Elaborado sacrário em prata, ouro e diamantes de primeira água. Fundido, repuxado e cinzelado em forma arquitetônica de templo de estilo neoclássico (...)”.



O dito tabernáculo exposto na catedral recém restaurada, é tema de algo que eu chamaria de “Drama em três fotos”: O original, antes de ser depenado, depois da agressão, despojado de seus ouros e diamantes, e depois da restauração feita às pressas, nas coxas, por mãos sem qualquer habilidade.
Dom Murilo Krieger, atual arcebispo de Salvador, não demorou em ser alertado da violação sacrílega. Desconhecendo os bastidores do poder espiritual baiano, não sei se o IPHAN e o Ministério Público já foram informados e se estes órgãos estão neste momento tomando alguma providência. Assim espero. 

Esta agressão a um patrimônio que não é somente da igreja, mas do povo brasileiro, vem alongar a lista de tantas outras depredações que, ano após ano, vêm empobrecendo nossa cultura e nossa identidade. O pior é, com certeza, a indiferença evidente dos órgãos envolvidos, que não parecem levar a sério o criminoso descuido. E mais, alguns até tentam minimizar o roubo. Um religioso –  mantenhamos o nome em sigilo – chegou ao cúmulo de declarar que não eram diamantes de primeira água, mas simples pedras. Talvez então não fosse prata maciça, mas zinco, e latão em vez de ouro. 

Até onde vai a falta de pudor de uma sociedade conivente com estas atitudes? 

Quem, afinal, é culpado? 

A igreja? A empresa de restauração? O sempre displicente IPHAN? 

A quem desejar posso mostrar as fotos do sacrário, como também as fotos dos dois imensos lampadários de prata da igreja do Passo que desapareceram quando o IPAC, nos anos 90, usou o espaço para escritório. 

O mesmo IPAC usou e abusou do pátio barroco do convento de São Francisco como almoxarifado. Hoje é mais um patrimônio único, tombado pela UNESCO, que está desmoronando. 

Quanto aos excepcionais azulejos, a situação catastrófica parece sem retorno.

Resta-me confessar minha estranheza, quando fui visitar a catedral, ao ser cobrado de modestos R$5,00 sem o mínimo recibo. Será que durante estes quatro anos os padres não tiveram tempo de imprimir tíquetes?

Quanta leviandade em nome de Deus!

Dimitri Ganzelevitch
Publicado n´A Tarde
do 3 nov. 2018

DAR MAIS A QUEM TEM MAIS

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"(...) De superbia deriva "soberba". Na linguagem comum, quando se fala em "soberba" se descreve uma atitude, ou até mesmo uma simples pose. Nos textos jurídicos e filosóficos dos clássicos latinos, superbia não é apenas a atitude dos arrogantes, mas também sua prática, sua gana, sua obsessão de colocar-se acima de todos, seja lá como for. Implica uma furiosa negação da equidade. É um irado empenho na promoção da desigualdade, uma sede infrene de privilégio. Se você quiser um exemplo atual de philotimía, de iníqua superbia, basta pensar nos juízes brasileiros que lutam pela aprovação da Nova Lei Orgânica da Magistratura (LOMAN). Este projeto concede aos magistrados auxílio moradia equivalente a 20% do salário, garantia de transporte gratuito quando não tiverem à disposição carro oficial, reembolso por despesas médicas e odontológicas não cobertas pelos planos de saúde, licenças para estudar no exterior com remuneração extra. Garante ainda aos filhos dos juízes, desembargadores e ministros do judiciário, até aos 24 anos, auxílio-educação para que cursem escolas e universidades particulares. É óbvio que assim se vai constituir uma "nobreza togada" bem distante do cidadão comum, do povo a quem incumbirá pagar por esses privilégios da casta já tão soberbamente agraciada (recorde-se que, neste país de tantos sem teto, a maioria dos juízes já ganha auxílio moradia mesmo tendo a propriedade de suas residências). O mais curioso é que a essa casta se atribui o encargo de ministrar justiça. Não vejo maior exemplo de corrupção dos valores que a separação prática assim feita, a discrepância assim promovida, entre justiça e equidade. Não é preciso dizer quanto a pleonexía define o conato do atual regime político brasileiro, num momento em que se trata justamente de dar mais a quem tem mais e reduzir ao máximo o pouco de quem tem menos.(...)"
ORDEP SERRA 

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

O BRASIL NÃO É A FRANÇA

Resultado de imagem para CARICATURA CIRO GOMES
Face a Face
Aposta errada

   O PT apostou numa estratégia furada: confundir o Brasil com a França. Em benefício próprio. A ideia era simples: como aconteceu duas vezes na França, todos se uniriam, direita e esquerda, para barrar a extrema-direita. Na França, porém, isso se deu em favor da direita. Lula implodiu qualquer frente de esquerda, isolou Ciro Gomes e empurrou Fernando Haddad para o segundo turno. Imaginava um palanque com Fernando Henrique Cardoso, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Marina Silva, Álvaro Dias e todos os republicanos em defesa da democracia e em luta contra o designado fascismo.
Não rolou. O temor ao fascismo por aqui não tem o mesmo impacto que na Europa onde as lembranças de Hitler e Mussolini não podem ser apagadas. FHC manteve-se tucano como sempre. Em cima do muro. Recusou Jair Bolsonaro, mas não se declarou para Fernando Haddad. Ciro Gomes e Marina Silva, com métodos diferentes, deixaram entender o seguinte: se o PT não aceitou uma frente com um deles na cabeça para salvar o país do fascismo, por que eles teriam de fazer isso com Haddad no papel de presidenciável? Se o perigo era real, deveria ter sido enfrentado mais cedo, ainda mais que o componente central, aquele que decidiu a eleição, foi o antipetismo. Nada mais óbvio.
Eis o quadro: o PT estabeleceu uma premissa, a de que Bolsonaro representava um perigo para a democracia. Consequências: se acreditava realmente nisso, teria de tomar todas as providências para evitar a vitória do capitão. A mais evidente seria abrir mão da cabeça de chapa para tirar do jogo o elemento antipetista. Ou designar Bolsonaro como fascista e como um perigo para a democracia era só um argumento de campanha para assustar a população e os políticos democratas de maneira a obrigá-los a fazer campanha por Haddad e a devolver o petismo ao poder? Por fim, última hipótese, o PT acredita na sua premissa, mas não se importa com o resultado eleitoral. Era ele ou nada. O PT cobrou de Ciro a grandeza que não teve.s Ciro pagou na mesma moeda.
Ninguém entrou de fato no jogo do PT. Ciro, Marina, Alckmin, FHC e outros, no fundo, disseram: não gostamos de Bolsonaro, política de extrema-direita, que é um salto no escuro, mas não o vemos totalmente como esse perigo todo para a democracia. Ou viram e se lixaram.
Muitos democratas republicanos devem ter os mesmos preconceitos de Bolsonaro, que minimizam com imaginário adquirido numa época com valores diferentes, ou concordam com as propostas liberalizantes do capitão expressa na sua aliança com o economista Paulo Guedes. O PT pegou o próprio rabo. A isca não foi mordida. Ciro repassou a responsabilidade da eleição de Bolsonaro para Lula. Todos pensaram mais nos seus interesses do que no país. 
O Brasil não é a França. Aqui, a esquerda só faz alianças se for para ela ganhar, o centro é de direita, a direita é de extrema-direita e a extrema-direita não perde por ser fascista. O rótulo não pega. Se na França direita e esquerda se unem no republicanismo de emergência, aqui direita e esquerda se identificam no egoísmo. Só existe a guerra pelo poder. O nazifascismo impôs um limite na Europa. 
Não há limite ao sul do Equador.
Juremir Machado da Silva
Foi coordenador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da PUC-RS

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

FROM UKRANIA, WITH LOVE



DakhaBrakha is a Ukrainian folk quartet which combines the musical styles of several ethnic groups. It was a winner of the Sergey Kuryokhin Prize in 2009.
DakhaBrakha is a project of the DAKh Center for Contemporary Art, led by Vladyslav Troitskyi and born as a live theater music crew. V. Troiskyi continues to be the band's producer. Members of DakhaBrakha participate in the Centre's other projects, notably in the all-female cabaret project Dakh Daughters, as well as in the annual Gogolfest festival